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15 de junho de 2026

O peso que permanece, ou Ecos da saudade em estado vivo.




O peito chora por nostalgias

E lateja por saudades que o tempo levou,

Foram momentos onde fantasia

Na imaginação se entregou,

Dói lembrar e não poder mais voltar...

Resta apenas lampejos guardar.

 

A historia segue rumo ao horizonte

Entre vazios, rios, sonhos e pontes.

Queria tanto esquecer, mas lembrar é mais forte

No querer não há poder, sorte para quem tem sorte.

É um esmeril que arranha a lembrança

É estéril a ideia de esperança.

 

E no silêncio que a noite derrama

Ecoam passos de um ontem distante,

A alma vagueia perdida na trama

De um passado que pulsa constante.

É sombra viva que insiste em ficar,

Mesmo quando tento me afastar.

 

Nos cantos guardados da mente cansada

Há risos antigos ainda a ecoar,

Mas cada lembrança por mais delicada,

Carrega um peso difícil de soltar.

São flores secas num livro esquecido,

Perfume eterno de um tempo perdido.

 

O tempo tirano não pede licença,

Leva consigo o que a gente foi,

E deixa na alma essa estranha sentença

De ser quem lembra, mas nunca quem dói.

Pois a dor se molda e aprende a ficar,

Enquanto o tempo insiste em passar.

 

E assim sigo entre o ir e o ficar,

Com o peito dividido em ausência e presença,

Tentando no hoje um sentido encontrar

Que não dependa da antiga crença.

Mas há sempre um fio que puxa pra trás,

Tecendo memórias que não voltam mais.

 

Talvez seja isso que chamam viver:

Carregar ausências com certa leveza,

Fazer do que foi um modo de ser,

E aceitar da vida sua incerteza.

Pois mesmo na dor que insiste em ficar,

Há beleza em ainda lembrar.




7 de outubro de 2025

Nostalgia lúdica do tempo



O tempo… ah, o tempo é um artista cruel e sublime.

Ele pinta com pincéis de vento as lembranças que deixamos escapar pelos dedos fotogramas de um passado que insiste em viver dentro da gente.
Há dias em que a memória chega mansa, com cheiro de café e risadas antigas,
e há outros em que ela rasga o peito como um trovão que não pede licença.

A vida, essa correnteza apressada, não espera ninguém.
Pisca-se, e a infância se despede no retrovisor.
Mais um suspiro, e a juventude se torna apenas um eco nas paredes do tempo.
Tudo passa… tudo.
E cada instante, mesmo o mais simples, é um universo inteiro que se apaga ao ser vivido.

As perdas… ah, as perdas ensinam na dor o que a felicidade não ousa tocar.
Elas deixam cicatrizes que o tempo não apaga, apenas transforma em constelações silenciosas.
Mas é nas saudades que mora o ouro da alma.
Porque sentir falta é a prova de que algo foi belo o bastante pra merecer eternidade.

No fim, somos feitos de pó, lembranças e música antiga.
De rostos que se foram, de amores que ficaram na beira da estrada,
de promessas que o vento levou, e de risadas que ainda ecoam,
como se o ontem estivesse logo ali,
esperando a gente voltar, só mais uma vez.



 

Todos os textos são autoria de Giliardi Rodrigues. Proibida a reprodução de qualquer texto sem prévia autorização do autor.

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