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19 de maio de 2026

Entre litígios e encontros.



Em face dos meus litígios, já não temo o caminho,

há silêncio nos passos que dou sozinho.

Não digo com quem ando, pois seria em vão

minha trilha se faz na própria solidão.

E não há peso nisso, nem sombra a me prender,

há paz no encontro que tive ao me conhecer.

Minha companhia basta, inteira e sem disfarce,

sou abrigo em mim sem precisar de outra parte.

 

Não é vaidade que em mim floresceu,

nem espelho vaidoso do ego que se perdeu.

É o cuidado sereno de quem se reconhece,

é o valor de existir sem que o mundo o impeça.

Na solidão, descobri a doce solitude,

um espaço sagrado de calma e quietude.

No sofrimento, encontrei resistência firme,

como raiz que insiste, mesmo quando se oprime.

 

No medo ergui coragem em silêncio contido,

na rejeição fui eu quem me acolhi destemido.

E assim, entre ruínas ergui minha morada:

um homem inteiro de alma reencontrada.

E se o mundo estranha o silêncio que carrego,

não entende a força que floresce no desapego.

Pois quem aprende a ser lar dentro de si,

já não se perde apenas escolhe onde ir.




12 de maio de 2026

Recolho, apenas recolho-me.




Na arte de observar me retiro propositalmente

não por ausência, mas por escolha.

Sou margem que enxerga o rio,

olho quieto que aprende com o ruído.

Não me interessa o que dizem alto,

mas o que escapa nas pausas,

no tremor quase invisível da voz,

na pressa de quem precisa parecer inteiro.

 

Há quem vista personagens

como quem troca de roupa:

um ideal costurado em desejo,

um reflexo do que falta por dentro.

Outros tropeçam na própria incoerência,

não por maldade; mas por distração,

como se vivessem fragmentados,

sem jamais se encontrarem por inteiro.

 

E há ainda os que sabem...

mas fingem não saber.

Arquitetos da própria contradição,

erguendo máscaras com plena consciencia.

Entre gesto e palavra,

sempre escolho o intervalo;

é ali que mora a verdade

que ninguém ensaia.

 

Eu observo...

Porque o que somos

não grita.

Escorre.

E eu em silencio - recolho-me. 




Todos os textos são autoria de Giliardi Rodrigues. Proibida a reprodução de qualquer texto sem prévia autorização do autor.

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