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12 de maio de 2026

Recolho, apenas recolho-me.




Na arte de observar me retiro propositalmente

não por ausência, mas por escolha.

Sou margem que enxerga o rio,

olho quieto que aprende com o ruído.

Não me interessa o que dizem alto,

mas o que escapa nas pausas,

no tremor quase invisível da voz,

na pressa de quem precisa parecer inteiro.

 

Há quem vista personagens

como quem troca de roupa:

um ideal costurado em desejo,

um reflexo do que falta por dentro.

Outros tropeçam na própria incoerência,

não por maldade; mas por distração,

como se vivessem fragmentados,

sem jamais se encontrarem por inteiro.

 

E há ainda os que sabem...

mas fingem não saber.

Arquitetos da própria contradição,

erguendo máscaras com plena consciencia.

Entre gesto e palavra,

sempre escolho o intervalo;

é ali que mora a verdade

que ninguém ensaia.

 

Eu observo...

Porque o que somos

não grita.

Escorre.

E eu em silencio - recolho-me. 




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