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6 de abril de 2026

O Avesso das Coisas


 



Um dia me disseram que o mel era amargo,

que o rio não corria, só fingia o caminho (...)

sem saber, me entregaram um mapa bem largo

e eu aprendi a sair do meu próprio labirinho.

 

Me disseram que o fogo não aquecia ninguém,

que a estrela era falsa pintada no teto

e nessa mentira havia um presente também:

aprendi a buscar a luz no lugar mais discreto.

 

Às vezes a verdade vem disfarçada de erro,

um tropeço que abre a porta que eu não via

o que parecia muro era só vidro mero,

e o que chamavam de fim era só a saída.

 

Me disseram que o pão não sustentava a fome,

que a sombra era mentira que o sol inventou

e cada ilusão desfeita que eles me impõem

foi um gradeado a menos que o tempo quebrou.

 

Hoje sei que o engano pode ser libertador,

que cada véu rasgado é uma janela que nasce

quem me quis preso me deu, sem querer, a melhor

das ferramentas: a dúvida que tudo desfaz e refaz.

 

 

25 de fevereiro de 2026

O amor egoísta de um segredo que afogou na própria realidade.



No mais profundo do meu ser onde reside os segredos

Afogo-me no tempo e deleito-me em espanto.

A inteligência me dilacera expondo toda ilusão,

Recaio na realidade, na verdade nua e crua.

 

Meu olhar se perde nas estrelas caídas,

Meu mundo é uma perda não dita.

Maturidade é o sofrimento como um vinho envelhecido,

O sabor é bom, mas é melhor esquecer.

 

Que mistério é o homem que sabe demais?

Guarda enigmas em sorrisos de esfinge,

pensa em eternidades que o pulso nega,

deseja o invisível e ama o efêmero sem posse.

 

No espelho da mente reflexos se dobram,

inteligente predador de suas próprias armadilhas.

Atraente como abismo chamando o vazio,

profundo, denso, eterno em um sopro fugaz.




27 de outubro de 2025

A Verdade Nua, ou o submundo da realidade.


 

Direi apenas e tão somente a verdade

Não pisarei em ovos com minhas palavras

A realidade não é flor de altar

Mas lámina fría sob a pele.

 

Compreenda que o mundo não te deve nada

Nem aplausos, nem favor e muito menos perdão.

 

A vida não é justa

É apenas real (nada mais que isso).

A realidade não se curva aos desejos

E não se compadece de sonhos mal vividos.

 

O fracasso não é falta de sorte

É o preço do conforto.

Tua dor não é castigo

É o eco das escolhas que fizeste

e fruto do acaso ainda não explicado.

 

Levanta-te, encare o espelho

O seu inimigo está diante de você,

O teu salvador também

A espada que corta é a mesma que liberta.

 

Os que encaram a dor sem fugir

Tem o privilégio de lutar pela vida. 




16 de junho de 2025

A Coroa da Razão - Não do amor, mas do pensar.



Oh, doce Razão, que no silêncio acende
A chama tênue da lucidez inquieta,
És mais que Musa — és o que transcende
O caos do mundo e a beleza discreta.

Pensar é arte, e quem se atreve a tanto
Toca as estrelas com os pés no chão.
A mente, em voo, desenha o encanto
De ver no caos um traço de razão.

Não canta o bardo só paixões ardentes,
Pois há mais fogo no saber que inflama.
Idéias nascem como sementes
E fazem do mundo seu novo drama.

A escultura, a dança, a tela e o canto,
O mármore que sente, o som que voa,
São filhos do pensar — do livre manto
Que cobre o homem quando o medo ecoa.

Não há prisão na mente que imagina,
Nem dor que cale um verbo verdadeiro.
O pensamento é chama peregrina
Que queima o falso e ascende o derradeiro.

Quem pensa, vive. Quem duvida, cresce.
Pois na razão, a alma se revela.
A dúvida é um rio que nunca esmorece,
E a fé na lógica é a fé mais bela.

Ideias são como vento: vão e voltam,
Mas deixam forma onde antes foi vazio.
São tempestades que jamais se soltam
Do coração que busca seu próprio fio.

Que venham reis e tronos da ignorância,
Pois um só livro pode os desmontar.
No dom da mente habita a esperança
De um novo mundo pronto a se formar.

Oh, Razão! Não és fria — és sensível!
Pois sentes mais que o cego coração.
Teu toque é leve, mas imperceptível
É tua espada: cortas a ilusão.

Pensar é ser. E quem pensa transforma.
O bruto em belo, o medo em construção.
És alquimia que refina e forma
O ouro puro da evolução.

Não há mais nobre forma de realeza
Do que reinar com luz sobre o pensar.
Pois quem governa com a mente acesa,
Faz do futuro um templo a edificar.

Assim, declaro em verso o que defendo:
Pensar é o sangue da humanidade.
Que a Razão reine, nunca em silêncio morrendo,
Mas viva, livre, eterna — em liberdade.




Todos os textos são autoria de Giliardi Rodrigues. Proibida a reprodução de qualquer texto sem prévia autorização do autor.

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