Não é vazio o que me habita,
é um silêncio aprendido e experimentado,
Como quem já leu demais a vida
e decorou seus finais repetidos.
Não busco validação
As curtidas não tem valor algum,
Nem coleciono rostos,
pois os ciclos têm roteiro antigo
e despedidas previsíveis.
O dinheiro me acorre
como o vinho serve ao instante.
Mas acumular eternidades em bancos digitais
para deixá-las apagar ao tempo
isso me soa como ironia.
Não sigo deuses que exigem medo,
nem promessas que compram o infinito.
Se há céu, que seja no agora;
se há inferno, já o conheço no íntimo.
Não visto bandeiras,
não me aqueço em paixões coletivas.
Há muito barulho onde falta verdade,
e pouca verdade onde sobra fervor.
O amor…
já o vi nascer com força
e morrer por cansaço.
Às vezes floresce; é verdade.
mas quase sempre aprende a cair.
Não quero liderar,
nem ser seguido.
Cada um carrega seu labirinto
e aprende sozinho a errar os caminhos.
Dizem que me falta interesse;
talvez!
Ou talvez me sobre lucidez.
Porque viver, para mim, é isso:
sentir o peso leve do instante,
como quem gira um copo de vinho
e entende que o valor
não está em guardar a garrafa,
mas em reconhecer o sabor
antes que ele desapareça.

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