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7 de abril de 2026

Meia Luz




Ela chega carregando consigo um sigilo
que meus olhos reconhecem 
antes mesmo da pele revelar seus limites.

Existe um aroma que não vem de nenhum frasco, 
aquele que sai da curva do pescoço, 
do encontro entre o ombro e a clavícula, 
daquilo que ela mesma não sabe que exala 
e que me faz esquecer onde terminam meus pensamentos 
e começam meus instintos.

Minha pele grita por uma resposta que só a dela pode dar.

Quando ela se aproxima, 
entendo por que os antigos 
escreviam sobre deusa e perdição 
como se fossem a mesma coisa. 

Seus lábios guardam histórias 
que minha boca quer desvendar centímetro a centímetro, 
aquele sabor que não é doce nem amargo, 
mas tudo aquilo que existe entre o permitido e o proibido.

Suas mãos encontram meu peito 
como quem reconhece um lugar já visitado em sonho. 
E eu respiro fundo, me controlando, 
porque a paixão é uma fome 
que só ela sabe fazer crescer e ao mesmo tempo apaziguar.

Há um mistério na forma como ela me olha, 
naquele sorriso que promete tudo e nada, 
que acende coisas em mim que deveriam permanecer dormindo, 
mas que ela, com sua mera presença, insiste em despertar.

Quero devorar cada segredo que ela guarda, 
mas com a paciência de quem sabe que o melhor sabor 
é aquele que nos faz esperar um pouco mais.





17 de junho de 2025

A Mulher que Despenteia o Juízo.



Na curva tímida do ombro,
um convite sussurrado em carne.
Não fala, mas incendia.
Seu silêncio é um gemido suspenso no ar.
E eu, homem feito de vontades,
tremo como papel molhado pela chuva do seu olhar.

Ela passa, e o mundo desorganiza.
O botão da blusa, inocente, conspira.
A saia, indecente, flerta com o vento.
E eu, tolo, me torno poeta 
mas um poeta que escreve com a língua
na geografia febril da sua pele.

Seu andar é pecado em movimento,
milagre pagão que me ajoelha.
Ela não toca, mas possui.
Não se oferece, mas se impõe.
E o desejo, esse cão faminto,
rosna dentro do meu terno.

Debaixo da roupa, mora o inferno.
E eu, cristão de meia fé,
renego qualquer salvação
por um instante entre seus lábios carmesim,
onde o amor é fome,
e o gozo tem gosto de fim.

Ela é vício,
verso obsceno que se esconde
nas entrelinhas de um decote.
É mulher, mas é também feitiço,
palavra proibida que se escreve no escuro,
com dedos, dentes e sussurros.

E quando finalmente me engole no seu abismo,
não é só carne que se consome.
É alma. É culpa. É glória.
É um poema suado
onde rima e suor se confundem,
e o prazer, meu caro, é poesia crua.







Todos os textos são autoria de Giliardi Rodrigues. Proibida a reprodução de qualquer texto sem prévia autorização do autor.

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