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2 de fevereiro de 2026

Espelho Partido


 

A mesa posta do afeto, sentam-se dois estranhos

Que um dia se amaram e foram apenas um.

Ele tentando reconhecer a mulher que um dia amou

E Ela observando um estranho como nunca o tivesse visto.

 

Um narcisista e outro egocêntrico sentados frente a frente,

Afogados entre o rancor e a ingratidão.

Repetindo palavras alheias

Expondo feridas que nunca foram curadas.

 

Uma contabilidade jurídica afetiva que não fecha,

Onde cada beijo é uma moeda e cada abraço um desagravo.

Nos olhares apenas ressentimento com reflexos de dores

E imagens de um passado que nunca foi superado e ressignificado.

 

Palavras vazias ecoam no abismo da desilusão

Pelo o espelhamento psicológico de um amor doente.

As línguas prontas para destilar o veneno

Que derrama para dentro do coração.

 

Cada um projeta no outro o carrasco e a vítima,

o salvador e o náufrago, o algoz e o inocente,

numa dança de máscaras que se tornou rotina.

Até que o espelho racha refletindo imagens despedaçadas pelos cacos.

 

Resta a pergunta que nenhum dos dois ousa fazer:

Quem é o ingrato, aquele que não agradece

ou aquele que dá esperando receber,

mantendo o livro-caixa do amor que perece?

 

Na Academia das Dores Compartilhadas,

onde se estuda a anatomia dos afetos despedaçados,

fica a lição escrita em versos e em lágrimas guardadas:

amor não é espelho; é janela para o outro lado.




Todos os textos são autoria de Giliardi Rodrigues. Proibida a reprodução de qualquer texto sem prévia autorização do autor.

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