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21 de abril de 2026

Desinteresse, ou Entre a Lucidez e o Desencanto da Vida

 




Não é vazio o que me habita,
é um silêncio aprendido e experimentado,
Como quem já leu demais a vida
e decorou seus finais repetidos.

Não busco validação
As curtidas não tem valor algum,
Nem coleciono rostos,
pois os ciclos têm roteiro antigo
e despedidas previsíveis.

O dinheiro me acorre
como o vinho serve ao instante.
Mas acumular eternidades em bancos digitais
para deixá-las apagar ao tempo
isso me soa como ironia.

Não sigo deuses que exigem medo,
nem promessas que compram o infinito.
Se há céu, que seja no agora;
se há inferno, já o conheço no íntimo.

Não visto bandeiras,
não me aqueço em paixões coletivas.
Há muito barulho onde falta verdade,
e pouca verdade onde sobra fervor.

O amor…
já o vi nascer com força
e morrer por cansaço.
Às vezes floresce; é verdade.
mas quase sempre aprende a cair.

Não quero liderar,
nem ser seguido.
Cada um carrega seu labirinto
e aprende sozinho a errar os caminhos.

Dizem que me falta interesse;
talvez!
Ou talvez me sobre lucidez.

Porque viver, para mim, é isso:
sentir o peso leve do instante,
como quem gira um copo de vinho
e entende que o valor
não está em guardar a garrafa,
mas em reconhecer o sabor
antes que ele desapareça.

 

27 de março de 2026

Gozar é sentir dor e sobreviver.



Minha mente traidora deixou escapar em um momento de relapso um “te amo”, confesso que não sei de onde brotam estas coisas. Será meu subconsciente me boicotando? Pois o único amor que considero é aquele que arde pela a minha própria vida. Pelo qual me sacrifico em noite de dor, em dias pelo o trabalho e pelo o lamento que clamo através das lágrimas que jorram para dentro e congelam meu coração.

            Sobrevivo nas sombras onde o ego se ergue e me bate forte e sem piedade. Não posso amar alguém mais que a mim, no meu peito um tropo que não é narcisismo vil e nem um egoísmo. Apenas amor-próprio. É uma raiz profunda que me faz firme e ao mesmo tempo me permite voar sem tirar os pés do chão.


Todos os dias eu me escolho primeiro, 

olho no espelho e reflito sobre o meu brilho sagrado.


Vida minha, minha vida...

Altar onde queimo incenso por minhas lutas diárias,

Me abraço na solidão

E vibro solitário nas vitorias efêmeras.

Me defendo das garras do tempo

E das memorias da rejeição.

O medo é fogo que arde dentro de mim

Mas esta chama me purifica em essência

De caos, de solitude, de dor e prazer.

Meu gozo é constante e sem fronteiras. 





31 de dezembro de 2025

Em verdade vos digo (...)





O que eu chamava de absoluto

cedeu à dúvida

e a dúvida me ensinou mais que a certeza.


Os muros do preconceito,

erguidos por ignorância herdada,

ruíram quando encarei o outro sem medo.

Compreender é mais difícil que julgar.

Por isso, liberta.


Minha fé desceu do céu para o chão.

Saiu dos dogmas, entrou na experiência.

Hoje, creio no que toca, no que resiste ao teste do real,

no que se prova na vida

não no que se impõe pelo medo.


A política?

Prometeu salvação, entregou abandono.

Bandeiras não pagaram minhas contas,

discursos não seguraram minha mão.

Aprendi: partidos se alimentam de esperança alheia,

não de lealdade.


Resta-me o essencial:

pensar por conta própria,

errar com honestidade,

mudar sem pedir desculpas.


Não sou menos por duvidar.

Sou mais inteiro.


Em verdade vos digo

a lucidez dói,

mas a cegueira cobra mais caro.



16 de junho de 2025

A Coroa da Razão - Não do amor, mas do pensar.



Oh, doce Razão, que no silêncio acende
A chama tênue da lucidez inquieta,
És mais que Musa — és o que transcende
O caos do mundo e a beleza discreta.

Pensar é arte, e quem se atreve a tanto
Toca as estrelas com os pés no chão.
A mente, em voo, desenha o encanto
De ver no caos um traço de razão.

Não canta o bardo só paixões ardentes,
Pois há mais fogo no saber que inflama.
Idéias nascem como sementes
E fazem do mundo seu novo drama.

A escultura, a dança, a tela e o canto,
O mármore que sente, o som que voa,
São filhos do pensar — do livre manto
Que cobre o homem quando o medo ecoa.

Não há prisão na mente que imagina,
Nem dor que cale um verbo verdadeiro.
O pensamento é chama peregrina
Que queima o falso e ascende o derradeiro.

Quem pensa, vive. Quem duvida, cresce.
Pois na razão, a alma se revela.
A dúvida é um rio que nunca esmorece,
E a fé na lógica é a fé mais bela.

Ideias são como vento: vão e voltam,
Mas deixam forma onde antes foi vazio.
São tempestades que jamais se soltam
Do coração que busca seu próprio fio.

Que venham reis e tronos da ignorância,
Pois um só livro pode os desmontar.
No dom da mente habita a esperança
De um novo mundo pronto a se formar.

Oh, Razão! Não és fria — és sensível!
Pois sentes mais que o cego coração.
Teu toque é leve, mas imperceptível
É tua espada: cortas a ilusão.

Pensar é ser. E quem pensa transforma.
O bruto em belo, o medo em construção.
És alquimia que refina e forma
O ouro puro da evolução.

Não há mais nobre forma de realeza
Do que reinar com luz sobre o pensar.
Pois quem governa com a mente acesa,
Faz do futuro um templo a edificar.

Assim, declaro em verso o que defendo:
Pensar é o sangue da humanidade.
Que a Razão reine, nunca em silêncio morrendo,
Mas viva, livre, eterna — em liberdade.




Todos os textos são autoria de Giliardi Rodrigues. Proibida a reprodução de qualquer texto sem prévia autorização do autor.

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