A dor que dói em mim, dói só em mim,
eco solitário no peito vazio.
O mundo é pedra bruta, sem compaixão,
cruel labirinto de espinhos e vazio.
Não culpo o céu nem a terra impiedosa,
nasci entre sombras, forjada no pranto.
Sofrer é meu fado, minha sina oculta,
raiz profunda que o tempo não arranca.
Ó Deus, se és bom e justo como dizem,
por que permites o rio de lágrimas?
Pessoas caem, como folhas no outono,
e eu fico só, com feridas sem fim.
Traumas que pesam, limitações frias,
tristezas que mordem, angústias sem voz.
Decepções tecem minha rede de espinhos,
vivo e sobrevivo, sem paz, sem luz.
Quem me livrará deste abismo sem fundo?
Não peço piedade, só força pra erguer.
Na dor inerente, busco um sussurro,
de sentido oculto no meu padecer.
