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13 de março de 2026

O Preço do Silêncio




Nas dobras do tempo onde o eco se cala,
um vulto emerge das cinzas do olvido.
Passos gravados em solos áridos,
solitário tecelão de noites sem fim.

Cicatrizes como mapas traçadas em segredo,
lições colhidas de abismos alheios.
Mestre das sombras, ele dança sozinho,
abraçando o vazio como velho confidente.

Das ruínas brotou a armadura de ferro,
desilusões forjadas em fornalhas frias.
No espelho, o reflexo sussurra: "Guarda-te",
pois o afeto próprio é chave de masmorras.

Sentou à mesa dos reis e dos mendigos,
bebeu do cálice amargo da abundância e da fome.
Centenas de véus roçaram sua pele,
uma só prendeu o coração em rede de estrelas.

Riquezas fluíram como rios efêmeros,
sequias o moldaram em essência pura.
E no silêncio final, o veredito: tudo pesava ouro,
renasceria das próprias brasas, sem remorso.

Que mistério pulsa nessa alma blindada?
Um homem que ri das tormentas passadas,
pronto para o ciclo eterno de quedas e voos,
pagando o preço do silêncio com o preço da vida.



Todos os textos são autoria de Giliardi Rodrigues. Proibida a reprodução de qualquer texto sem prévia autorização do autor.

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