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22 de abril de 2026

Silêncio revelador, ausência que transborda no encontro do vazio - Parte I e Parte II

PARTE I



Silêncio que não pesa,

mas envolve.

Espaço vazio que não falta,

mas transborda.

 

Presença que nasce no recolhimento,

sem ruído, sem plateia,

sem máscaras a sustentar.

 

Multidão lá fora: vozes, pressa, olhares que atravessam sem ver.

Dentro, vastidão inteira, sem eco de ausência.

 

Solidão que antes feria,

agora revela.

Lapida o ser,

desnuda camadas,

expõe essência sem adornos.

 

Nenhuma cobrança,

nenhum papel a cumprir.

Apenas existência crua,

Inteira e suficiente.

 

Solitude: não fuga,

mas encontro.

Não carência,

mas completude.

 

E no centro do silêncio, plenitude!


PARTE II 





No silêncio anterior ao mundo,
o ser se recolhe sem ruído.
A ausência de vozes externas
não empobrece; revela.


Há um centro oculto
onde a falta deixa de ser falta
e a presença torna-se inteira.
Ali, o vazio não consome:
alinha.

No meio da multidão,
tantas faces, tanta pressa,
e ainda assim o exílio íntimo
pode permanecer intacto.
Pois não basta estar cercado de corpos
quando a alma permanece distante
de si mesma.

Melhor a travessia solitária
do que a companhia que exige disfarce,
a palavra que cobra,
o gesto que fere,
o olhar que mede,
a espera que oprime.

Na solitude, o eu se desvela
sem a vigilância do julgamento.
Cai a armadura.
Some a encenação.
Resta a verdade nua,
e nela habita uma paz estranha,
profunda, suficiente.

Solidão já não é ruína.
É morada.
É órbita silenciosa
em torno do próprio eixo.
É o instante em que existir
basta por inteiro.













9 de abril de 2026

Os Vinhos do Tempo, ou versos de um homem marcado pela história.

 


Caminho como quem já leu demais, 

como alguém que sabe que cada coisa tem suas camadas, 

suas contradições, suas verdades incômodas.


Capricórnio que constrói com as mãos e com a mente, 

que faz negócio e faço versos no mesmo dia, 

sem nenhuma vergonha de ser múltiplo, 

porque compreendi cedo que a vida não pede permissão para ser complicada.


Há solidão em mim, sim, mas não é aquela solidão fraca dos que temem pessoas. 

É a solidão do observador, 

de quem precisa de distância para enxergar bem as coisas. 

Escolho estar sozinho com um livro de história, 

ou um copo de whisky, ou uma partitura, 

porque sei que companhia verdadeira é rara 

e precisa de silêncio para respirar.


Busco mulheres que pensam, 

porque entendi que beleza sem inteligência é apenas decoração, 

e nunca fui de me contentar com adornos. 

Quero conversa, 

provocação, o brilho de alguém que consegue me surpreender.


A natureza para mim não é paisagem de Instagram. 

É arquivo vivo, 

é professora que não cobra presença, 

é o lugar onde as coisas fazem sentido sem precisar de explicação.


E os vinhos, os whiskeys que aprecio, 

não são vício nem status. 

São rituais de reflexão, 

pausas onde permito que o tempo desacelere o suficiente 

para perceber que estar aqui é privilégio.


Vejo o mundo como quem leu muito 

mas não perdeu a capacidade de se assombrar, 

como advogado que conhece as falhas do sistema 

mas segue acreditando em justiça, como músico que sabe que toda nota é temporária 

mas escolhe tocá-la com precisão.


Sou raro porque não pretendo ser nada que não sou, 

e em um mundo onde todos fingem ser mais leves, 

tenho a coragem de ser profundo.





11 de fevereiro de 2026

O silêncio que me fez completo, ou a virtude de estar sozinho




No meio da multidão, eu era um eco sem voz,
engolido pelo ruído alheio, um corpo perdido em rostos vazios.
A solidão me devorava por dentro, como fome que corrói os ossos,
um grito mudo contra o mundo que girava indiferente,
críticas afiadas na língua, reclamações que sangravam o peito.
Eu buscava nos outros o que faltava em mim,
um preenchimento ilusório, um abraço que nunca chegava inteiro.

Então veio o silêncio imposto, o isolamento como lâmina cortante,
afastado de tudo, nu perante o espelho da própria existência.
O sofrimento rasgou as ilusões, expôs as feridas que eu carregava
como bagagens invisíveis, pesadas de julgamentos alheios.
Ali, no vazio, descobri o milagre: minha própria companhia.
Não mais o mundo como vilão, mas eu mesmo como centro quieto,
olhos voltados para dentro, onde o rio da alma corria sereno.

Agora, a solitude me envolve como manto tecida de luz suave,
completo no meu ser, sem necessidade de plateia ou aplausos.
Longe das vozes que outrora me afogavam, encontro paz profunda,
um sussurro interno que cura, que constrói catedrais no peito.
Eu sou ilha inteira, oceano e céu em um só fôlego,
onde o sozinho se torna sagrado, e o eu se basta eternamente.



Todos os textos são autoria de Giliardi Rodrigues. Proibida a reprodução de qualquer texto sem prévia autorização do autor.

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