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21 de abril de 2026

Desinteresse, ou Entre a Lucidez e o Desencanto da Vida

 




Não é vazio o que me habita,
é um silêncio aprendido e experimentado,
Como quem já leu demais a vida
e decorou seus finais repetidos.

Não busco validação
As curtidas não tem valor algum,
Nem coleciono rostos,
pois os ciclos têm roteiro antigo
e despedidas previsíveis.

O dinheiro me acorre
como o vinho serve ao instante.
Mas acumular eternidades em bancos digitais
para deixá-las apagar ao tempo
isso me soa como ironia.

Não sigo deuses que exigem medo,
nem promessas que compram o infinito.
Se há céu, que seja no agora;
se há inferno, já o conheço no íntimo.

Não visto bandeiras,
não me aqueço em paixões coletivas.
Há muito barulho onde falta verdade,
e pouca verdade onde sobra fervor.

O amor…
já o vi nascer com força
e morrer por cansaço.
Às vezes floresce; é verdade.
mas quase sempre aprende a cair.

Não quero liderar,
nem ser seguido.
Cada um carrega seu labirinto
e aprende sozinho a errar os caminhos.

Dizem que me falta interesse;
talvez!
Ou talvez me sobre lucidez.

Porque viver, para mim, é isso:
sentir o peso leve do instante,
como quem gira um copo de vinho
e entende que o valor
não está em guardar a garrafa,
mas em reconhecer o sabor
antes que ele desapareça.

 

9 de abril de 2026

Os Vinhos do Tempo, ou versos de um homem marcado pela história.

 


Caminho como quem já leu demais, 

como alguém que sabe que cada coisa tem suas camadas, 

suas contradições, suas verdades incômodas.


Capricórnio que constrói com as mãos e com a mente, 

que faz negócio e faço versos no mesmo dia, 

sem nenhuma vergonha de ser múltiplo, 

porque compreendi cedo que a vida não pede permissão para ser complicada.


Há solidão em mim, sim, mas não é aquela solidão fraca dos que temem pessoas. 

É a solidão do observador, 

de quem precisa de distância para enxergar bem as coisas. 

Escolho estar sozinho com um livro de história, 

ou um copo de whisky, ou uma partitura, 

porque sei que companhia verdadeira é rara 

e precisa de silêncio para respirar.


Busco mulheres que pensam, 

porque entendi que beleza sem inteligência é apenas decoração, 

e nunca fui de me contentar com adornos. 

Quero conversa, 

provocação, o brilho de alguém que consegue me surpreender.


A natureza para mim não é paisagem de Instagram. 

É arquivo vivo, 

é professora que não cobra presença, 

é o lugar onde as coisas fazem sentido sem precisar de explicação.


E os vinhos, os whiskeys que aprecio, 

não são vício nem status. 

São rituais de reflexão, 

pausas onde permito que o tempo desacelere o suficiente 

para perceber que estar aqui é privilégio.


Vejo o mundo como quem leu muito 

mas não perdeu a capacidade de se assombrar, 

como advogado que conhece as falhas do sistema 

mas segue acreditando em justiça, como músico que sabe que toda nota é temporária 

mas escolhe tocá-la com precisão.


Sou raro porque não pretendo ser nada que não sou, 

e em um mundo onde todos fingem ser mais leves, 

tenho a coragem de ser profundo.





1 de dezembro de 2025

O Manual Delicado do Intolerável.


    


    Há erros que escorregam da mão como vidro molhado: caem, machucam, fazem barulho; mas dá pra juntar os cacos, limpar o sangue e seguir. Há desculpas que, apesar de tardias, ainda carregam o cheiro morno da humanidade. Tudo isso é tolerável, revisável, perdoável.

    Mas há escolhas que não pedem desculpa: pedem distância.

    Caráter não falha por acidente. Traição não nasce por engano. Mentira não escapa espontânea como soluço. Essas decisões são cirúrgicas, frias, calculadas o suficiente para revelar aquilo que ninguém gosta de admitir: algumas pessoas nos mostram exatamente quem são; e a única resposta digna é caminhar para longe.

    A inveja e o ciúme são sombras inevitáveis. Não são bonitas, nem nobres, mas fazem parte do terreno acidentado da alma humana. Com conversa, com tempo, com vontade, se ajeitam. São tempestades que passam.

    Já a sacanagem, a quebra deliberada da confiança, o tapa nas costas disfarçado de abraço; isso não se conserta. Não há cola que grude o respeito depois dele ser cuspido no chão.

    A vida é curta demais para conviver com o que nos envenena. Tolerância não é covardia, mas insistir no intolerável é. E a lucidez cobra caro: às vezes o preço é aprender a fechar a porta com firmeza, mesmo quando o coração treme.

    No fim, é simples: o que não é recíproco, não é lar. E o que fere de propósito, não merece retorno.










7 de outubro de 2025

Nostalgia lúdica do tempo



O tempo… ah, o tempo é um artista cruel e sublime.

Ele pinta com pincéis de vento as lembranças que deixamos escapar pelos dedos fotogramas de um passado que insiste em viver dentro da gente.
Há dias em que a memória chega mansa, com cheiro de café e risadas antigas,
e há outros em que ela rasga o peito como um trovão que não pede licença.

A vida, essa correnteza apressada, não espera ninguém.
Pisca-se, e a infância se despede no retrovisor.
Mais um suspiro, e a juventude se torna apenas um eco nas paredes do tempo.
Tudo passa… tudo.
E cada instante, mesmo o mais simples, é um universo inteiro que se apaga ao ser vivido.

As perdas… ah, as perdas ensinam na dor o que a felicidade não ousa tocar.
Elas deixam cicatrizes que o tempo não apaga, apenas transforma em constelações silenciosas.
Mas é nas saudades que mora o ouro da alma.
Porque sentir falta é a prova de que algo foi belo o bastante pra merecer eternidade.

No fim, somos feitos de pó, lembranças e música antiga.
De rostos que se foram, de amores que ficaram na beira da estrada,
de promessas que o vento levou, e de risadas que ainda ecoam,
como se o ontem estivesse logo ali,
esperando a gente voltar, só mais uma vez.



 

19 de junho de 2025

Entre Diamantes e Destinos, ou Amizades & o Tempo.




Amizade é barro antigo que o tempo esculpe com dedos de eternidade.
Não nasce pronta: germina em silêncios partilhados,
em olhos que se entendem sem palavras,
e cresce no terreno fértil da confiança, 
onde a raiz é a lealdade e o fruto, a presença.
Há quem chame de sorte, 
mas é obra do destino que não erra o entalhe quando junta almas raras.
Não se compra, não se mendiga, não se exige — conquista-se com inteireza e verdade.

Enquanto os amores ardem e se apagam como fogueiras de São João,
a amizade cintila como estrela antiga: luz constante em noite escura.
Mais que um irmão de sangue, é o irmão de escolha, de afeto sem cláusulas,
de ombro onde repousa o cansaço e de riso que estoura quando a dor quer calar.
É a mão que não solta quando o mundo gira ao avesso.

O tempo, escultor paciente, é quem lapida os vínculos verdadeiros.
Com ele, as arestas se tornam encaixes e os desencontros, aprendizados.
Como o diamante que só brilha após a pressão,
as amizades genuínas revelam-se após a prova do tempo.
São ouro de mina, relíquia que não se acha em toda esquina.

A honestidade é sua fundação 
sem ela, desaba o edifício mais ornamentado.
Lealdade é seu alicerce: firme, mesmo nas tempestades mais amargas.
E o respeito é a moldura invisível que preserva o quadro do afeto intacto.
Cada gesto, palavra ou silêncio carrega a poesia da confiança mútua.

São mais sublimes que muitos amores passageiros,
porque não cobram juras, apenas presença sincera.
São mais preciosas que alguns irmãos,
pois nascem do vínculo eleito, e não da obrigação herdada.
Na amizade verdadeira, não há papel de protagonistas — há simetria.

Quantas vezes o amigo foi pássaro a cantar nos telhados da minha tristeza?
Quantas vezes foi cais quando fui barco perdido no nevoeiro?
E quando o mundo parecia ruir em cinzas,
lá estava ele: fogo baixo aquecendo meu inverno.
É poesia em forma de pessoa — verso vivo de reciprocidade.

A amizade é um pacto tácito entre almas que se reconhecem
num mundo onde tantos se mascaram.
É o antídoto para a solidão do século,
o abrigo que resiste às estações e às decepções do existir.
Quando o amor parte, a amizade fica. Quando a esperança morre, ela a enterra de mãos dadas.

Cultivar uma amizade é como lapidar um cristal bruto:
cada erro ensina, cada acerto fortalece.
E quando, por fim, a vida se põe em crepúsculo,
restam poucos ao redor — mas os verdadeiros sempre ficam.
Pois amigo que é amigo, não é visita: é morada.

Assim, brindo aos que permanecem.
Aos que não fogem diante da dor,
aos que celebram as conquistas como se fossem suas,
e que mesmo no silêncio, dizem: estou aqui.
Pois são esses que fazem da vida um poema digno da eternidade.



12 de maio de 2017

Eutanásia ou livre, totalmente livre.

Livre, totalmente livre (...)
das amarras e das amarguras,
Da solidão,
Da ambição e das armaduras.
Homem livre!
Do amor e suas torturas,
Das paixões,
Do rancor, da dor
E de suas conjecturas.

Sou livre!
Do céu, do inferno e deste mundo.
Totalmente livre
De ideologias e fantasias.

Parece um absurdo?

Livre da predestinação,
Da obsessão do livre arbítrio.

Sem rotulos
Sem partidos
Sem nenhuma razão
Sem nenhum sentimento
Esta é a sina que facina
Quem nasceu para ser livre.

Livre para a liberdade que me circunda,
Para a paz que me alimenta,
Livre com mansidão
E domínio próprio,
Livre da escravidão sexual
E das mazelas comunentes.
Livre pela a verdade
Pelo o respeito entre "eu e tu",
Livre do pecado
De Deus e o diabo,
Livre, totalmente livre (...)






23 de janeiro de 2012

Enquanto o tempo passa, viva!




Os anos passam como passam os dias,
Os dias passam como passam as horas,
As horas passam como passam os minutos,
Os minutos passam como tudo na vida passa.

Passa a alegria como passa a tristeza,
Passa a força como passa à beleza,
Passa a infância como passa a juventude,
Passa a juventude como passa a melhor fase da vida.

Viva enquanto houver tempo para viver,
Faça tudo valer a pena.
Não perca tempo,
Pois os momentos que escorrem pelos dedos.

Viver é muito bom,
Ainda mais com felicidade.
Ame muito, muito, muito...
Ame o máximo que puder amar.

Não cruze os braços para vida
Pois, o maior homem do mundo
Viveu com toda intensidade o amor
E morreu de braços abertos.


7 de janeiro de 2012

Cenários antigos.




A vida escorria entre os dedos
E descia sem acenos
Pelos vales escuros onde passava.
Como fonte nascente
Na direção do poente; escoava.
Reinaugurava cenários antigos
Esquecidos pelos os momentos
Em que o tempo passou acelerado e tentou deslembrar,
Inaugurou tantos e tantos cenários reais e imaginários
Que as fontes mais fidedignas de alguma maneira relembram e tentam relembrar.


1 de janeiro de 2012

Fator tempo.


A pressa que acelera a vida e não leva a lugar nenhum é como a calma que repousa e também não leva a lugar algum. Será tão difícil perceber? Que o tempo é apenas um fator relativo para que as pessoas possam correr ou ficar estáticas? Afinal, que diferença fará se corremos ou andamos, a morte não igualará todos nos mesmo patamar? Para onde vai o pobre, também não vai o rico? Para onde vai o preto, também não vai o branco? Se o tempo tenta apressar, eu peço calma. Se o tempo força a calma, eu peço ritmo. O fato é que sou inconformado com o tempo, pois ele encurtar a vida.

Então...

Enquanto houver tempo para viver; viverei.
E quanto faltar tempo para viver; lutarei contra o tempo.

23 de dezembro de 2011

Alma viajante, ou dura realidade.















Minh’alma se despe e foge nua sem rumo e sem direção,
Alça voo pelas asas onde as poesias transcende o tempo.
Talvez um verso simples seja tudo o que digo,
Talvez morra poeta; talvez não.
Que meus estros possam ir e impetrar a realidade,
Que as palavras possam florescer
E tornar os pântanos em bosques.
Que os verdadeiros amores possam ser translúcidos
E terem seus versos compostos no azul do firmamento.
Quem me dera ao menos uma vez
Olhar para o infinito e traduzir o incognoscível,
Quem me dera trazer os céus a terra
E de alguma forma dissipar tudo aquilo que corrompe o homem.
Todavia minh’alma continua sua viajem
Percorrendo lugares ainda não habitados,
Mas, sei que ela logo irá voltar
Para chocar e me trazer de volta a realidade.


13 de novembro de 2011

Pra além do agora.



Tantas cartas escritas com letras de forma
Descrevem o sentimento frio que adorna o vazio do coração.
Poderias ser questão de múltipla escolha,
Mas, a verdade é tão nua e crua.
Então...
Antes que o dia amanheça ou a vida desvaneça,
Perca a cabeça e segure em minha mão.

Deixe assim ser pelo menos por um momento,
Se não tens nada a perder,
Não tenha medo de ganhar.
Quem sabe o caminho sem chão possa conduzir ao paraíso?
Se não queres perder, não insista em querer me prender.
Viva a liberdade do meu lado e descubra o que é viver.



18 de setembro de 2011

A vida por Pallavras.



Meu verso compõe um soneto
Quando minha vida se rega de poesia,
Uma crônica atemporal
Faz da minha prosa uma melodia,
Meus salmos, meus provérbios, meus cantares...
A fé se desenvolve com palavras e com mitologias!
Minhas cartas escritas em pergaminhos
Meus pensamentos, minhas teorias.
Meus textos de momentos
Meus pretextos de cada dia.
Entre versos e reversos,
Teoremas e problemas para toda a vida.
Minhas estórias contadas em metáforas,
Canções arranhadas com ledice e nostalgia,
O que podemos levar desta vida
Além de conhecimentos e sabedoria?
Poderia até promover uma tese
Mas, esquece! Não gosto de psicologia.
Pode haver veredas na religião
Contudo o que se encontra são hipocrisia e demagogia.
 Melhor é caminhar com humildade e simplicidade.
A verdade é nua e crua; sem sofisma de filosofia.
Poetas são como profetas que conectam
A realidade com poesias e profecias.
Parábolas rementem a uma realidade,
Mas não desconectam a razão da analogia.

2 de setembro de 2011

Mudo de direção.














Se agora não quero, não é porque quero dizer não.
Se agora não faço, é porque me falta motivação.
Se agora não vou, é porque não vejo caminho em tua direção.
Se agora me afasto, é porque não me sinto seguro em tua mão.
Mas...
Se acaso disseres as palavras certas me entrego de corpo, alma e coração.
Deleito-me em teus braços e mudo de opinião.
Faço da minha vida um abrigo para teu amor e um propósito para teu coração.
Caminho junto contigo, sigo na tua direção seguro na tua mão.

27 de agosto de 2011

Presente Passado Futuro



Quando tento pensar no futuro
Tenho que esquecer o passado.
Quando tenho que pensar no passado
Não consigo viver o presente.
Quando vivo o presente
Não penso no passado e nem no futuro.

26 de agosto de 2011

AnTiGa MeNtE.











Pense como quiser
Não vou tentar lhe convencer.
Insiste tanto lembrar?
Prefiro esquecer.

Quero beijos sem tréguas
Se eu falar que não gosto
Estou mentindo.
Não tente medir na tua régua
Se falo que não posso
Vou logo assumindo.

Se não mais me quiser
Vou tentar compreender.
Não vai mais me procurar?
Não precisa mais dizer.

15 de agosto de 2011

MÁQUINA DO TEMPO, ou PROCESSO DE EXPERIÊNCIA.



Tudo que quero é uma vida sem anexo
Sem fardo, sem culpa e sem complexo.
Se pudesse viajar pelo tempo
Não desejaria saber o futuro
E não voltaria ao passado,
Permaneceria no presente
Vivendo um momento de cada vez.




Tudo que quero é uma vida sem ilusão
Sem filosofia, sem demagogia e sem religião.
Se pudesse mudar o mundo
Não começaria das coisas mais complexas
E nem das coisas mais medíocres,
Começaria de mim mesmo
Como processo de experiência.

Todos os textos são autoria de Giliardi Rodrigues. Proibida a reprodução de qualquer texto sem prévia autorização do autor.

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