Pallavras
Textos, contextos, pretextos, poemas, teoremas, canções, crônicas, salmos, cartas, estórias, teorias, poesias, provérbios, pensamentos, fantasias, direito, filosofia, teologia, sentimentos, versos, reversos, reflexões, intuições, orações, manuscritos, delírios, suspiros, memórias, ensaios, confissões, juramentos, mistérios, segredos, epopeias, tragédias, elogios, critérios, discursos, manifestos, declarações, insights, profecias, ensinos, alegorias, murmúrios, clamores e questionamentos.
Visitantes
11 de fevereiro de 2026
O silêncio que me fez completo, ou a virtude de estar sozinho
3 de fevereiro de 2026
DO VAZIO QUE HABITA A CERTEZA
Navego em mares onde não há farol,
sem bússola celeste a me guiar o rumo,
e neste pélagο de névoa e de presumo,
construo, grão por grão, meu próprio arrebol.
Negaram-me os altares, mas não o sol
que nasce indiferente ao nosso cumo;
e se da fé renuncio ao doce sumo,
resta-me o peso insone do controle.
Porque é fardo também não ter certeza
do abraço que nos salva além da morte,
e erguer, sozinho, toda a fortaleza
da ética sem véu, da humana sorte.
Invejo, sim, a transcendente empresa
mas habito o real: meu céu e norte.
Há noites em que o cosmos me interroga
com seus bilhões de sóis indiferentes,
e sinto que as respostas mais prudentes
são as que a razão sóbria não derroga.
Mas algo em mim, secreto, ainda prorrogα
a solidão dos seres conscientes;
busco nas sombras vestígios patentes
de um sentido que a lógica não aloga.
Viver sem crer não é viver sem fome
do inexplicável, do que nos transcende
é aceitar que o mistério não se dome,
que nenhum dogma o abismo nos defende.
E nesse desamparo, acho meu nome:
humano que questiona e não se rende.
Abri mão das preces, não da reverência;
do templo, mas não do recolhimento.
Há liturgias no puro pensamento,
há graça mesmo em plena contingência.
Troquei a providência pela ciência,
o eterno pelo efêmero tormento,
e encontro neste lúcido momento
não paz talvez, mas íntegra existência.
Pois fé não é somente a que se ajoelha
diante do altar ou da promessa vã;
é crer também que a vida, embora velha
de dor e perda, ainda nos engana
com lampejos de amor e nisso se assemelha
ao sonho que os devotos chamam de mana.
Entre o vazio e o excesso de sentido,
habito a margem, o lugar incerto
onde o sagrado e o profano, perto,
dialogam sem que um seja desmentido.
Não creio, mas não julgo o convertido
que encontra no divino o campo aberto;
respeito o mistério que não decifro,
honro o silêncio, mesmo incompreendido.
Porque viver sem crer é também crer
na dignidade do que somos, nus,
sem outro amparo além do próprio ser.
É acender, na escuridão, a luz
da consciência e com ela aprender
que somos, ao final, nosso Jesus.
2 de fevereiro de 2026
Espelho Partido
A mesa posta do afeto, sentam-se dois estranhos
Que um dia se amaram e foram apenas um.
Ele tentando reconhecer a mulher que um dia amou
E Ela observando um estranho como nunca o tivesse visto.
Um narcisista e outro egocêntrico sentados frente a frente,
Afogados entre o rancor e a ingratidão.
Repetindo palavras alheias
Expondo feridas que nunca foram curadas.
Uma contabilidade jurídica afetiva que não fecha,
Onde cada beijo é uma moeda e cada abraço um desagravo.
Nos olhares apenas ressentimento com reflexos de dores
E imagens de um passado que nunca foi superado e ressignificado.
Palavras vazias ecoam no abismo da desilusão
Pelo o espelhamento psicológico de um amor doente.
As línguas prontas para destilar o veneno
Que derrama para dentro do coração.
Cada um projeta no outro o carrasco e a vítima,
o salvador e o náufrago, o algoz e o inocente,
numa dança de máscaras que se tornou rotina.
Até que o espelho racha refletindo imagens despedaçadas pelos cacos.
Resta a pergunta que nenhum dos dois ousa fazer:
Quem é o ingrato, aquele que não agradece
ou aquele que dá esperando receber,
mantendo o livro-caixa do amor que perece?
Na Academia das Dores Compartilhadas,
onde se estuda a anatomia dos afetos despedaçados,
fica a lição escrita em versos e em lágrimas guardadas:
amor não é espelho; é janela para o outro lado.
27 de janeiro de 2026
O Paradoxo do Sábio que Encolhe
20 de janeiro de 2026
Bateria Social Esgotada
Minha bateria social viciada se apaga no breu,
esgotada de máscaras e de fingimentos vazios.
Sem ânimo pra rostos que somem no vácuo,
pra ser formal com quem não está nem ai para mim.
Hipocrisia nas redes, demagogia em posts,
pessoas que curtem sem tocar a alma.
Não suporto o teatro de likes e stories frios,
fantasmas digitais que não aquecem o peito.
Prefiro o silêncio da minha trilha solitária,
dizer não aos convites que drenam a essência.
Cicatrizes de traições me ensinaram o preço,
da qualidade no tempo, não na multidão falsa.
No fim, recarrego na poesia e no vento,
deixando pra trás o que não soma, não cura.
Sou o esquecedor ilustre, livre do peso,
bateria zerada e alma em chamas puras.
15 de janeiro de 2026
Presente supremo
Esqueço nomes assim como esqueço rostos, minha sina é o desapego total. Pessoas vêm e vão - eu continuo e apenas continuo com meus pensamentos e minha forma original de ser.
Sou um mero esquecedor e ignorador de opiniões alheias. Por mim, formalidades se afundam no abismo do esquecimento. Não me importo se nasceu ou se morreu. Se casou e se divorciou. Se gosta ou ignora. Se é importante ou não - Apenas observo e extraio o momento.
Importo-me apenas com o prazer, com o instante, com o presente, com a dádiva de degustar, de experimentar e viver. Felicidade, esperança, fé e ideologias são apenas fábulas que se evaporam no tempo.
Do passado não me lembro mais!
No futuro não estou lá ainda e não sei se vou chegar.
Como agente trivial, sazonal e temporal; A mim vale apenas o presente que me é supremo.
Baralho da Eternidade
Há motivos que levamos pro túmulo escuro,
selados na eternidade, sem chave ou rumor.
Coisas inexplicáveis, que a língua não doma,
e se ousamos explicar, o mundo nos ignora.
Sentimentos profundos, dores que só nós vemos,
razões íntimas, guardiãs de segredos tremem.
Ninguém mais as toca, são nossas, puras e nuas,
excluídas do eco, fiéis às nossas luas.
Poesia, música, conversas no vento leve...
nada expõe o todo, só fragmentos que escreve.
É um baralho embaralhado no peito confuso,
descartamos cartas aos poucos, no jogo perduso.
Algumas ficam no fundo, áses da solidão,
eternos mistérios que o tempo não levará.
E assim vamos, jogando sombras no vazio,
com o coração como monte, inexplicado e vivo.
4 de janeiro de 2026
Ensaio Poético, ou Abraços que Tecem a Alma.
Abraços que acolhem o peito e fazem a alma repousar, como o manto suave de uma madrugada serena, envolvendo o corpo exausto em um casulo de paz esquecida. Abraços cordiais, formais e sem afeto, trocados em salões frios de convenções sociais, onde os braços se cruzam por dever, mas o coração permanece intocado, um ritual vazio de calor humano. Abraços de saudade e de nostalgia, aqueles que apertam o ar entre os corpos ausentes, evocando cheiros de infâncias perdidas e risos ecoados no tempo, como fantasmas que se entrelaçam na penumbra da memória.
Abraços de despedida, breves e cortantes como lâminas de adeus, que marcam a pele com a promessa de um vazio eterno, deixando o peito latejante de promessas não cumpridas. Abraços apaixonados e acalorados, fogos vorazes que consomem distâncias, fundindo peles suadas em um só pulsar, onde o desejo grita mais alto que qualquer palavra sussurrada. Abraços por abraçar, mecânicos e despretensiosos, dados ao estranho na rua ou ao amigo de passagem, um gesto banal que, por um instante, humaniza o caos da multidão.
Abraços de família, raízes entrelaçadas em um emaranhado de braços e histórias compartilhadas, onde o sangue pulsa no mesmo ritmo, curando feridas invisíveis com a força de laços inquebráveis. Abraços de pai com filha, fortes e protetores como muralhas antigas, que carregam o peso de silêncios compreendidos, um colo que ensina a voar sem medo de cair. Abraços que não precisam de palavras para se eternizar, mudos e profundos, gravados na eternidade do toque, onde o olhar diz tudo e o corpo completa o verso inacabado.
Abraços de quem ama e manifesta seus sentimentos com atitudes, não com flores murchas ou juras vazias, mas com o aperto firme que diz "estou aqui" em meio às tormentas da vida. Abraços de medo, apertados e trêmulos nas noites de pavor, onde dois corpos se unem contra o abismo, tecendo coragem a partir do tremor compartilhado. Abraços que fazem a cabeça reclinar nobre o peito com ato de amor, um ninho sagrado onde o mundo lá fora se dissolve, e resta apenas o ritmo compassado de dois corações em sintonia divina.
Abraços de encontro, explosões de reencontro após anos de separação, que dissolvem o tempo em um só instante, reavivando chamas adormecidas com o mero roçar de peles. Abraços nunca mais vão se repetir, únicos e irrepetíveis, como estrelas cadentes que cruzam o céu uma única vez, deixando trilhas de luz na escuridão da alma. Abraços de Judas, traiçoeiros e doces na superfície, que beijam a face enquanto afiam a lâmina nas costas, um veneno disfarçado de afeto que corrói a confiança de dentro para fora.
Abraços que fazem do silêncio uma eternidade de acolhimento e paz, onde o não dito se torna hino, e o vazio entre os braços se enche de compreensão infinita. Abraços de gratidão, leves como brisa de outono, dados ao destino por mais um dia de luz, um obrigado encarnado no gesto simples. Abraços de cura, balsâmicos e demorados, que cicatrizam feridas antigas com o calor da presença, transformando dor em lição sussurrada pelo toque.
Abraços de criança com o mundo, inocentes e exploradores, que abraçam árvores, ventos e desconhecidos com a fome insaciável de descoberta, sem medo de rejeição. Abraços de luto, pesados e chorosos, que carregam o peso do ausente, unindo os vivos em uma rede de solidariedade tecida pela dor comum. Abraços eróticos, lentos e provocantes, que dançam na fronteira do prazer, acordando sentidos adormecidos com promessas de êxtase velado.
Abraços de perdão, amplos e libertadores, que desfazem nós de rancor com a força de um reencontro purificado, lavando culpas no rio do afeto renovado. Abraços de vitória compartilhada, eufóricos e saltitantes, que erguem os corpos no ar como troféus vivos, celebrando conquistas com o clangor de risos entrelaçados. Abraços de solidão fingida, dados ao espelho ou ao travesseiro, ilusões que mascaram o vazio, mas alimentam a esperança de um toque real por vir.
Abraços culturais, rituais de nações e povos, como os urso dos russos ou os efusivos dos latinos, pontes entre mundos que dissolvem fronteiras em um só pulsar universal. Abraços de pets fiéis, peludos e incondicionais, que curam o dia ruim com lambidas e ronrons, lembrando que o amor puro não precisa de palavras humanas. Abraços cósmicos, imaginados com o universo, onde o peito se abre para estrelas distantes, sentindo o abraço infinito da criação em noites de insônia contemplativa.
Abraços que salvam vidas, dados no limiar do desespero, puxando a alma de volta do abismo com a âncora do calor alheio. Abraços efêmeros, como os de um metrô lotado, anônimos e passageiros, que por frações de segundo unem estranhos em uma sinfonia coletiva de proximidade. Abraços poéticos, forjados na imaginação do poeta, que transcendem o físico e envolvem a humanidade inteira em versos de ternura eterna.
No fim, todos os abraços são fios de uma grande tapeçaria humana, tecendo alegrias e dores, presenças e ausências, em um padrão indecifrável mas belo. Eles nos lembram que, no toque, reside a essência do ser: frágil, eterno, divino.
2 de janeiro de 2026
Saudade em Escombros
Crimes perfeitos, amores hediondos,
Beijos envenenados, saudade pelas esquinas,
Caminho pela cidade, olhos que sangram,
Multidão solitária, almas em ruínas.
Por quê tanta dor onde há fé?
Por quê pessoas que se amam se humilham tanto?
Falam muito, ouvem nada, ecos vazios,
- O peito chora por enquanto.
Ruas de ferro, corações partidos,
Fé que treme sob o peso da cruz.
Intimidade vira lâmina afiada,
Palavras voam, silêncios se afogam.
Escombros de sonhos, multidão cega,
Eu transpasso o sofrimento alheio,
Solitários em si, na dança da rua,
Pergunto ao vento: por quê, por quê?
Por quê abismos na luz da profundidade?
Por quê veneno na doce nudez?
Dizem oceanos, sorvem o vazio,
Por quês sem fim, na dança dos escombros eu me perco.
31 de dezembro de 2025
Da Lei Divina à Lei Humana: A Evolução dos Pecados Bíblicos em Crimes e Normas Sociais
Em verdade vos digo (...)
O que eu chamava de absoluto
cedeu à dúvida
e a dúvida me ensinou mais que a certeza.
Os muros do preconceito,
erguidos por ignorância herdada,
ruíram quando encarei o outro sem medo.
Compreender é mais difícil que julgar.
Por isso, liberta.
Minha fé desceu do céu para o chão.
Saiu dos dogmas, entrou na experiência.
Hoje, creio no que toca, no que resiste ao teste do real,
no que se prova na vida
não no que se impõe pelo medo.
A política?
Prometeu salvação, entregou abandono.
Bandeiras não pagaram minhas contas,
discursos não seguraram minha mão.
Aprendi: partidos se alimentam de esperança alheia,
não de lealdade.
Resta-me o essencial:
pensar por conta própria,
errar com honestidade,
mudar sem pedir desculpas.
Não sou menos por duvidar.
Sou mais inteiro.
Em verdade vos digo
a lucidez dói,
mas a cegueira cobra mais caro.
30 de dezembro de 2025
O Engodo Eterno: Da Caverna de Platão aos Algoritmos da IA
- Pré-história (200.000 a.C. - 10.000 a.C.): Sobrevivência tribal gera animismo e xamanismo – espíritos na natureza explicam o incontrolável, unindo grupos contra o medo primal.
- Antiguidade (3.000 a.C. - 500 d.C.): Religiões organizadas (suméria, egípcia, judaica) e filosofias como o mito da caverna de Platão revelam o sofisma: elites usam deuses para justificar impérios e escravidão.
- Idade Média (500-1500): Cristianismo e Islã dominam; Igreja controla conhecimento, prometendo paraíso eterno para aplacar fome e peste – esperança como ópio das massas.
- Iluminismo e Revoluções (século XVIII-XIX): Secularização critica dogmas religiosos, mas gera ideologias políticas (liberalismo, socialismo) – promessas de igualdade via Estado substituem deuses por messias humanos como Robespierre ou Marx.
- Século XX: Capitalismo meritocrático e totalitarismos (nazismo, stalinismo) provam falhas; guerras mundiais e Holocausto expõem ilusões, mas consumismo e esportes viram novas religiões – paixão pelo time como identidade falsa.
- Era Digital (2000-hoje): IA e redes sociais amplificam deepfakes, fake news e bolhas ideológicas; buscamos respostas simples (vacinas conspiratórias, criptomoedas salvadoras) para crises complexas como aquecimento global e desigualdade.
22 de dezembro de 2025
Soneto do Calabouço Vivo
A beleza brota na contemplação,
no espanto puro, na surpresa da vida,
calabouço de dores que nos invade,
sentimentos em excessos, vazios na mão.
Prazeres que ardem, real que nos fere,
expõe a alma nua, sem véu ou ilusão,
fé, esperança e amor são a salvação,
antídotos vivos que o sofrimento esfare.
No breu do viver, achamos o divino,
luz que trespassa o caos confinado,
esperança tece a ponte ao infinito.
Amor cura o grito, fé ilumina o caminho,
no espanto da existência, tudo é sagrado,
beleza eterna no coração ferido.
3 de dezembro de 2025
Por fim, é isso!
Abraços apertados e frios,
Olhares penetrantes e maliciosos,
Palavras, promessas e falsas formalidades (...).
A corrupção e a má intenção
Se repousam sobre interesses escusos,
A ética e a moral perderam os seus valores
Por favores e utilidades.
Ninguém te ama!
Ninguém se importa com você.
As pessoas te usam pela conveniência
E pelas vantagens que elas podem extrair.
Homens usam mulheres para o sexo,
Mulheres usam os homens por outros interesses,
As empresas exploram pessoas,
Pessoas valem-se das empresas por dinheiro,
O Estado acabrunha a sociedade
E a sociedade busca no Estado seu escombro.
Deus recompensa o céu ameaçando com o inferno
E o ser humano barganha a própria vida pelo o medo.
Por fim, é isso!
1 de dezembro de 2025
O Manual Delicado do Intolerável.
4 de novembro de 2025
O Prazer do Proibido, ou o Submundo da personalidade humana.
O que o certo manda evita o ser,
Mas o fruto escondido é sedução,
Que difícil é o homem deter.
Da ordem feita cresce a inquietude,
No não permitido nasce o desejo,
Que quebra a lei, a ética e a virtude,
E fere a confiança com seu ensejo.
Pois no proibido habita o anseio,
De sentir o risco, o fogo, a ardência,
Mesmo que ao fim reste só o vazio.
É prazer fugaz que traz receio,
Que destrói o laço e a consciência,
E cobra caro o custo do desafio.
27 de outubro de 2025
A Verdade Nua, ou o submundo da realidade.
Direi apenas e tão somente a verdade
Não pisarei em ovos com minhas palavras
A realidade não é flor de altar
Mas lámina fría sob a pele.
Compreenda que o mundo não te deve nada
Nem aplausos, nem favor e muito menos perdão.
A vida não é justa
É apenas real (nada mais que isso).
A realidade não se curva aos desejos
E não se compadece de sonhos mal vividos.
O fracasso não é falta de sorte
É o preço do conforto.
Tua dor não é castigo
É o eco das escolhas que fizeste
e fruto do acaso ainda não explicado.
Levanta-te, encare o espelho
O seu inimigo está diante de você,
O teu salvador também
A espada que corta é a mesma que liberta.
Os que encaram a dor sem fugir
Tem o privilégio de lutar pela vida.
Todos os textos são autoria de Giliardi Rodrigues. Proibida a reprodução de qualquer texto sem prévia autorização do autor.



