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21 de abril de 2026

A dor de quem foi rejeitado e logo será esquecido.



Sinto saudades? Talvez apenas algumas lembranças.

Se voltasse no tempo, gostaria de desconhecer algumas pessoas.

Seria interessante contar as estórias de trás para frente.

 

O tempo e vida

Se encarregaram de me ensinar

E me embriagar de maturidade.

Foram lágrimas jorradas,

Dores gritadas,

Sentimentos aflorados(...).

 

Sobrou agora apenas ressentimentos

E um Niilismo expansivo.

 

Antes eu queria mudar o mundo

Mostrar minhas verdades e convicções,

Queria ser conhecido e reconhecido por minhas virtudes.

Eu queria ser especial e fazer as pessoas especiais,

Tinha verdades prontas

E uma certeza absoluta que o meu caminho era o melhor.

 

Meu cálice encheu, transbordou, caiu da mesa e quebrou.

Percebi meus limites,

Entendi que antes de eu ser

O mundo já era e continuará sendo o que é.

 

Quando olhei no espelho

Me deparei com a imagem da insignificância,

Minha voz não tinha eco,

Minha poesia não tinha expressão,

Meu amor era egoísta,

Minhas mãos estavam manchadas de barro e sangue,

Eu caminhava sem direção.

 

O que tenho agora?

Apenas memórias, lembranças e ressentimentos.

 

Não há perdão por tudo que fiz,

Pelo amor que declarei e não fui correspondido,

Pela a lealdade que ofereci e fui rejeitado,

Pela a gratidão que expressei por quem nunca fez nada por mim,

Por ser sincero e ser achincalhado pelas costas,

Por fazer o que nunca fizeram por mim,

Por oferecer amizade e receber indiferença,

Por acreditar nas palavras e ser traído.

Por viver esta vida e logo ser esquecido.

 

 


Desinteresse, ou Entre a Lucidez e o Desencanto da Vida

 




Não é vazio o que me habita,
é um silêncio aprendido e experimentado,
Como quem já leu demais a vida
e decorou seus finais repetidos.

Não busco validação
As curtidas não tem valor algum,
Nem coleciono rostos,
pois os ciclos têm roteiro antigo
e despedidas previsíveis.

O dinheiro me acorre
como o vinho serve ao instante.
Mas acumular eternidades em bancos digitais
para deixá-las apagar ao tempo
isso me soa como ironia.

Não sigo deuses que exigem medo,
nem promessas que compram o infinito.
Se há céu, que seja no agora;
se há inferno, já o conheço no íntimo.

Não visto bandeiras,
não me aqueço em paixões coletivas.
Há muito barulho onde falta verdade,
e pouca verdade onde sobra fervor.

O amor…
já o vi nascer com força
e morrer por cansaço.
Às vezes floresce; é verdade.
mas quase sempre aprende a cair.

Não quero liderar,
nem ser seguido.
Cada um carrega seu labirinto
e aprende sozinho a errar os caminhos.

Dizem que me falta interesse;
talvez!
Ou talvez me sobre lucidez.

Porque viver, para mim, é isso:
sentir o peso leve do instante,
como quem gira um copo de vinho
e entende que o valor
não está em guardar a garrafa,
mas em reconhecer o sabor
antes que ele desapareça.

 

15 de abril de 2026

Respiro Poesia


 

Há quem se alimenta tão somente de pão,

Eu vivo e sobrevivo da palavra que fermenta a realidade.

Na Internet e nas ruas eu cultivo versos que nascem do silencio,

Onde cada pessoa para mim é um espelho espiritual

Cada olhar é um poema que nasce na observação.

 

A poesia me veste e me despe diante do mundo

Me oferece calma nos momentos de tribulação

Ela me beija

Com fogo e brisa

E me refaz quando tudo diante de mim se desfaz.

 

Os céus me prometem recompensa

Os infernos me cobram por meus erros

Eu me espanto diante de tanta hipocrisia

Por amo a poesia

E seus movimentos que me encontram

 

Sigo amando a cada instante

Sem me importar com o amanhã

Sei que vou morrer

Mas enquanto isso não acontece

Respiro, inspiro e clamo por poesia. 



10 de abril de 2026

Entre o silêncio e o fogo




Tu caminhas com calma,
como quem aprendeu a conversar com o tempo.
Teu olhar nunca se perde,
ele sabe o que busca; mesmo quando finge distração.

Há em ti um diálogo secreto
entre razão e desejo,
política e espiritualidade,
história e silêncio.

Falas pouco,
mas quando abres a boca o mundo escuta.
Tua inteligência não grita; seduz.
Teu charme nasce da serenidade,
da confiança de quem entende
o poder da palavra
e o valor do silêncio.

A beleza feminina te inspira,
não por vaidade,
mas como arte.
És amante da música,
dos gestos sutis,
da harmonia entre o pensamento e a emoção.

Fiel às tuas ideias,
leal a quem partilha tua verdade,
sabes que o amor próprio
é o primeiro ato de generosidade.

Trabalhas com paixão,
pois o que fazes
é parte de quem és.
Teu esforço te enobrece,
tua entrega te santifica.

Olhas fundo,
lês almas,
entendes o que o silêncio revela
e o que o olhar esconde.

Há uma força em ti que não pede aplauso.
Um mistério que não se explica.
Sabedoria no olhar,
respeito no toque.

E quem se aproxima sente
mesmo sem entender
que há fogo no teu silêncio
e luz nas palavras
que escolhes não dizer.



9 de abril de 2026

Os Vinhos do Tempo, ou versos de um homem marcado pela história.

 


Caminho como quem já leu demais, 

como alguém que sabe que cada coisa tem suas camadas, 

suas contradições, suas verdades incômodas.


Capricórnio que constrói com as mãos e com a mente, 

que faz negócio e faço versos no mesmo dia, 

sem nenhuma vergonha de ser múltiplo, 

porque compreendi cedo que a vida não pede permissão para ser complicada.


Há solidão em mim, sim, mas não é aquela solidão fraca dos que temem pessoas. 

É a solidão do observador, 

de quem precisa de distância para enxergar bem as coisas. 

Escolho estar sozinho com um livro de história, 

ou um copo de whisky, ou uma partitura, 

porque sei que companhia verdadeira é rara 

e precisa de silêncio para respirar.


Busco mulheres que pensam, 

porque entendi que beleza sem inteligência é apenas decoração, 

e nunca fui de me contentar com adornos. 

Quero conversa, 

provocação, o brilho de alguém que consegue me surpreender.


A natureza para mim não é paisagem de Instagram. 

É arquivo vivo, 

é professora que não cobra presença, 

é o lugar onde as coisas fazem sentido sem precisar de explicação.


E os vinhos, os whiskeys que aprecio, 

não são vício nem status. 

São rituais de reflexão, 

pausas onde permito que o tempo desacelere o suficiente 

para perceber que estar aqui é privilégio.


Vejo o mundo como quem leu muito 

mas não perdeu a capacidade de se assombrar, 

como advogado que conhece as falhas do sistema 

mas segue acreditando em justiça, como músico que sabe que toda nota é temporária 

mas escolhe tocá-la com precisão.


Sou raro porque não pretendo ser nada que não sou, 

e em um mundo onde todos fingem ser mais leves, 

tenho a coragem de ser profundo.





7 de abril de 2026

Meia Luz




Ela chega carregando consigo um sigilo
que meus olhos reconhecem 
antes mesmo da pele revelar seus limites.

Existe um aroma que não vem de nenhum frasco, 
aquele que sai da curva do pescoço, 
do encontro entre o ombro e a clavícula, 
daquilo que ela mesma não sabe que exala 
e que me faz esquecer onde terminam meus pensamentos 
e começam meus instintos.

Minha pele grita por uma resposta que só a dela pode dar.

Quando ela se aproxima, 
entendo por que os antigos 
escreviam sobre deusa e perdição 
como se fossem a mesma coisa. 

Seus lábios guardam histórias 
que minha boca quer desvendar centímetro a centímetro, 
aquele sabor que não é doce nem amargo, 
mas tudo aquilo que existe entre o permitido e o proibido.

Suas mãos encontram meu peito 
como quem reconhece um lugar já visitado em sonho. 
E eu respiro fundo, me controlando, 
porque a paixão é uma fome 
que só ela sabe fazer crescer e ao mesmo tempo apaziguar.

Há um mistério na forma como ela me olha, 
naquele sorriso que promete tudo e nada, 
que acende coisas em mim que deveriam permanecer dormindo, 
mas que ela, com sua mera presença, insiste em despertar.

Quero devorar cada segredo que ela guarda, 
mas com a paciência de quem sabe que o melhor sabor 
é aquele que nos faz esperar um pouco mais.





6 de abril de 2026

O Avesso das Coisas


 



Um dia me disseram que o mel era amargo,

que o rio não corria, só fingia o caminho (...)

sem saber, me entregaram um mapa bem largo

e eu aprendi a sair do meu próprio labirinho.

 

Me disseram que o fogo não aquecia ninguém,

que a estrela era falsa pintada no teto

e nessa mentira havia um presente também:

aprendi a buscar a luz no lugar mais discreto.

 

Às vezes a verdade vem disfarçada de erro,

um tropeço que abre a porta que eu não via

o que parecia muro era só vidro mero,

e o que chamavam de fim era só a saída.

 

Me disseram que o pão não sustentava a fome,

que a sombra era mentira que o sol inventou

e cada ilusão desfeita que eles me impõem

foi um gradeado a menos que o tempo quebrou.

 

Hoje sei que o engano pode ser libertador,

que cada véu rasgado é uma janela que nasce

quem me quis preso me deu, sem querer, a melhor

das ferramentas: a dúvida que tudo desfaz e refaz.

 

 

A Vontade de Valor



O homem não é amado por aquilo que é

Nem por aquilo que constrói

Mas pelo o que conquista.

 

O homem não é amado pelo o peso que carrega sem recompensa

Mas pelo a solução que apresenta

Quando tudo desmorona.

 

O sofrimento do homem não é fraqueza - é forja.

O ferro se torna lamina no fogo e na fumaça.

O homem só se torna homem quando a dor o reforja.

Não busca validação.

É uma constante de valor que se constrói em silencio.

Ninguém vê, ninguém aplaude,

A vontade de valor e de poder é sua única morada.

 

Quais os valores de um verdadeiro homem?

 

A disciplina não imposta pelo o medo,

Mas o valor que nasce para além do desejo de ser.

A responsabilidade de carregar o próprio fardo,

Sem lançar culpa no mundo.

A coragem - não a ausência do tremor.

Mas saber caminhar as margens do abismo.

A integridade - resiliência de caminhar nas sombras e na luz.

Quando ninguém te julga e quando o mundo te inflama.

A criação - o poder de transformar e organizar o caos.

Sofrimento com propósitos e a dor como legado.

 

O homem que não faz nada pelo o nada será lembrado.

 

Mas por que a mulher moderna voa tão alto

E recusa o homem que tem tanto a oferecer?

 

A hipergamia é a natureza a se proteger.

Ela busca o topo porque sempre buscou

O mais forte, o mais alto, o mais fértil em vida.

Mas eis o paradoxo cruel da modernidade:

Ela exige o excepcional com uma alma dividida.

Aquela que muito exige e pouco entrega

Carrega a máscara do valor que não construiu.

Não é julgamento é espelho que reflete

O vazio que a cultura do mérito instituiu.

 

Portanto, ó homem, não te faças pequeno

Diante daquelas que não sabem te ver.

Teu valor não mora no olhar de nenhuma aprovação

Mora no que és capaz de tornar-te e fazer.

 

O homem comum que se recusa a ser medíocre

É o mais raro dos animais neste século vazio.

Carrega teu sofrimento como Sísifo carrega a pedra

Mas diferente de Sísifo, constrói no caminho frio.

Não és útil apenas és necessário.

Não és amado apenas és fundamento.

E quando o mundo te pedir mais uma vez que proves,

Responde com obra. Responde com talento.

 

"O que não me destrói me torna mais forte"

não como consolo, mas como método.

O homem que compreende seu valor profundo

Não precisa de aprovação. Precisa de propósito.

E o propósito, este sim, é teu e de mais ninguém.

 



27 de março de 2026

Gozar é sentir dor e sobreviver.



Minha mente traidora deixou escapar em um momento de relapso um “te amo”, confesso que não sei de onde brotam estas coisas. Será meu subconsciente me boicotando? Pois o único amor que considero é aquele que arde pela a minha própria vida. Pelo qual me sacrifico em noite de dor, em dias pelo o trabalho e pelo o lamento que clamo através das lágrimas que jorram para dentro e congelam meu coração.

            Sobrevivo nas sombras onde o ego se ergue e me bate forte e sem piedade. Não posso amar alguém mais que a mim, no meu peito um tropo que não é narcisismo vil e nem um egoísmo. Apenas amor-próprio. É uma raiz profunda que me faz firme e ao mesmo tempo me permite voar sem tirar os pés do chão.


Todos os dias eu me escolho primeiro, 

olho no espelho e reflito sobre o meu brilho sagrado.


Vida minha, minha vida...

Altar onde queimo incenso por minhas lutas diárias,

Me abraço na solidão

E vibro solitário nas vitorias efêmeras.

Me defendo das garras do tempo

E das memorias da rejeição.

O medo é fogo que arde dentro de mim

Mas esta chama me purifica em essência

De caos, de solitude, de dor e prazer.

Meu gozo é constante e sem fronteiras. 





21 de março de 2026

O evangelho de um sofista.



Prometem sabedoria em fluxos de razão.
Mas raiz da verdade brota em solo puro,
Não em ventos de debate, eco vazio e duro.
Sofisma engana o ouvido, cega o olhar sincero,
Verdade liberta o jugo, faz o cego enxergar zero.

Relativismo dança em sombras de dialeto,
Tudo flui, nada é, mente o eco inquieto.
Pedra angular resiste ao embate do mar,
Fundamento eterno, não areia a se esparramar.
Argumento vazio colhe frutos de espinho,
Caminho estreito guia, largo leva ao abismoinho.

Disputas verbais constroem torres de Babel,
Idiomas de orgulho, ruína inevitável.
Humildade escuta o sussurro do céu azul,
Não grita em praças, nem busca aplauso cruel.
Sofista vende fumaça por ouro fingido,
Reino vem aos pequeninos, sábios ficam vendidos.

Luz simples ilumina o que treva complica,
Enigmas de Atenas só a alma envenena e afasta.
Frutos revelam a árvore, não a casca polida,
Doçura no coração, não na língua erguida.
Palavras como vento sem semente no chão,
Verdade semeia vida, sofisma traz ilusão.

Juízo final pesa atos, não retórica fina,
Coração impuro trai a máscara divina.
Sofistas tecem redes para peixes errantes,
Mas rede do amor atrai os verdadeiramente gratos.
Falsos profetas uivam como lobos vorazes,
Voz do Pastor chama, ecoa em vales audazes.

Engodo grego desaba ante a rocha imutável,
Palavras de eternidade, inabalável e cabal.
Sim, não e basta; resto é fumaça e vaidade,
Sabedoria dos céus dissipa a falsidade.
Sofisma perece no fogo da prova real,
Verdade ressuscita, eterna e triunfal.



Máscaras Caídas


 

Infelizmente ou quem sabe felizmente,

conhecemos as pessoas no adeus final.

A amizade, banal como o dia a dia,

o amor, disfarce de interesses vorazes.

Juras? Sombras passageiras no vento.

 

Agora o véu rasgado e indiferença fria,

raiva que ferve, vingança sussurrada,

desejo torpe de ver o outro ruir.

Quem diria? Ao lado do inimigo,

o tempo todo, sorrindo em conluio.

 

Surpresa cruel e lição das profundezas:

o caráter humano é uma serpente adormecida,

morde sem aviso, revela o abismo.

Eu sigo, sem rancor, sem peso no peito,

a vida segue tecendo maturidade nas feridas.





Adeus...



Era ela

Uma menina tão bela

Seus cabelos cor de sol

E seus lábios ardentes de paixão

 

Era ela

que morou por anos em meus pensamentos

Um amor perdido no tempo

Que por motivos não havia razão

 

Era ela

Que me abandonou

Que me rejeitou

E do nada reapareceu dizendo que me amava

 

Era ela

Que tentou me seduzir

Insinou como se nada tivesse acontecido

E me implorou amor

 

Era ela

Que me fez perder o apreço

Me mostrou na história

O amor também tem um fim

 

Era ela... Adeus.

 

 

Todos os textos são autoria de Giliardi Rodrigues. Proibida a reprodução de qualquer texto sem prévia autorização do autor.

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