Há motivos que levamos pro túmulo escuro,
selados na eternidade, sem chave ou rumor.
Coisas inexplicáveis, que a língua não doma,
e se ousamos explicar, o mundo nos ignora.
Sentimentos profundos, dores que só nós vemos,
razões íntimas, guardiãs de segredos tremem.
Ninguém mais as toca, são nossas, puras e nuas,
excluídas do eco, fiéis às nossas luas.
Poesia, música, conversas no vento leve...
nada expõe o todo, só fragmentos que escreve.
É um baralho embaralhado no peito confuso,
descartamos cartas aos poucos, no jogo perduso.
Algumas ficam no fundo, áses da solidão,
eternos mistérios que o tempo não levará.
E assim vamos, jogando sombras no vazio,
com o coração como monte, inexplicado e vivo.


Nenhum comentário:
Postar um comentário