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15 de janeiro de 2026

Baralho da Eternidade


 

Há motivos que levamos pro túmulo escuro,

selados na eternidade, sem chave ou rumor.

Coisas inexplicáveis, que a língua não doma,

e se ousamos explicar, o mundo nos ignora.

 

Sentimentos profundos, dores que só nós vemos,

razões íntimas, guardiãs de segredos tremem.

Ninguém mais as toca, são nossas, puras e nuas,

excluídas do eco, fiéis às nossas luas.

 

Poesia, música, conversas no vento leve...

nada expõe o todo, só fragmentos que escreve.

É um baralho embaralhado no peito confuso,

descartamos cartas aos poucos, no jogo perduso.

 

Algumas ficam no fundo, áses da solidão,

eternos mistérios que o tempo não levará.

E assim vamos, jogando sombras no vazio,

com o coração como monte, inexplicado e vivo.




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Todos os textos são autoria de Giliardi Rodrigues. Proibida a reprodução de qualquer texto sem prévia autorização do autor.

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