Em face dos meus litígios, já não temo o caminho,
há silêncio nos passos que dou sozinho.
Não digo com quem ando, pois seria em vão
minha trilha se faz na própria solidão.
E não há peso nisso, nem sombra a me prender,
há paz no encontro que tive ao me conhecer.
Minha companhia basta, inteira e sem disfarce,
sou abrigo em mim sem precisar de outra parte.
Não é vaidade que em mim floresceu,
nem espelho vaidoso do ego que se perdeu.
É o cuidado sereno de quem se reconhece,
é o valor de existir sem que o mundo o impeça.
Na solidão, descobri a doce solitude,
um espaço sagrado de calma e quietude.
No sofrimento, encontrei resistência firme,
como raiz que insiste, mesmo quando se oprime.
No medo ergui coragem em silêncio contido,
na rejeição fui eu quem me acolhi destemido.
E assim, entre ruínas ergui minha morada:
um homem inteiro de alma reencontrada.
E se o mundo estranha o silêncio que carrego,
não entende a força que floresce no desapego.
Pois quem aprende a ser lar dentro de si,
já não se perde apenas escolhe onde ir.

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