O peito chora por nostalgias
E lateja por saudades que o tempo levou,
Foram momentos onde fantasia
Na imaginação se entregou,
Dói lembrar e não poder mais voltar...
Resta apenas lampejos guardar.
A historia segue rumo ao horizonte
Entre vazios, rios, sonhos e pontes.
Queria tanto esquecer, mas lembrar é mais forte
No querer não há poder, sorte para quem tem sorte.
É um esmeril que arranha a lembrança
É estéril a ideia de esperança.
E no silêncio que a noite derrama
Ecoam passos de um ontem distante,
A alma vagueia perdida na trama
De um passado que pulsa constante.
É sombra viva que insiste em ficar,
Mesmo quando tento me afastar.
Nos cantos guardados da mente cansada
Há risos antigos ainda a ecoar,
Mas cada lembrança por mais delicada,
Carrega um peso difícil de soltar.
São flores secas num livro esquecido,
Perfume eterno de um tempo perdido.
O tempo tirano não pede licença,
Leva consigo o que a gente foi,
E deixa na alma essa estranha sentença
De ser quem lembra, mas nunca quem dói.
Pois a dor se molda e aprende a ficar,
Enquanto o tempo insiste em passar.
E assim sigo entre o ir e o ficar,
Com o peito dividido em ausência e presença,
Tentando no hoje um sentido encontrar
Que não dependa da antiga crença.
Mas há sempre um fio que puxa pra trás,
Tecendo memórias que não voltam mais.
Talvez seja isso que chamam viver:
Carregar ausências com certa leveza,
Fazer do que foi um modo de ser,
E aceitar da vida sua incerteza.
Pois mesmo na dor que insiste em ficar,
Há beleza em ainda lembrar.
