Não precisa de palavra,
basta o olhar que atravessa
e já me incendeia por dentro
antes mesmo do toque começar.
É uma força sem nome,
que nasce no fundo do peito
e rompe pra fora faminta,
como maré que não tem respeito.
Pelo cheiro da tua pele
perco o fio do pensamento,
cada curva é um labirinto
onde me perco com tento.
O teu beijo tem química,
tem segredo, tem veneno doce,
me empurra pra borda do abismo
e eu salto porque eu quis porque coube.
Devorar e ser devorado,
chama que não pede licença,
a paixão não explica,
só pulsa, só arde, só começa.
Fica sempre naquele fio,
entre o que foi e o que pode,
entre o toque que ficou no ar
e o próximo que ainda não coube.

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