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24 de junho de 2026

Diga-me, que desnudarei o teu corpo, a tua alma e os teus pensamentos.

 



Diga-me com quem tu andas, que desvelarei teus segredos,

desnudarei tua alma como quem abre um livro antigo,

revelarei o teu passado escrito em cada gesto,

escreverei nas esquinas o futuro que ainda é teu inimigo.

Pois o homem se mede pela sombra que escolhe ao lado

e a companhia revela o que o espelho nunca disse.

 

Diga-me o que lês, que direi o tamanho da tua tolice e sabedoria,

farei poesia com os teus pensamentos emprestados de outros,

revelarei as senhas que guardas sem saber que carregas,

Pois cada página que escolhes é uma confissão silenciosa.

O que devoras em segredo te devora de volta, lento,

e te torna, sem perceber, semelhante ao que admiras.

 

Diga-me o que pensas, que direi as tuas ansiedades,

o abismo que há no teu peito e que finges não ver,

a saudade que não consegues olvidar nas madrugadas,

o nome que tua boca cala mas teu silêncio sabe dizer.

Pois o pensamento é a única terra onde ninguém te vigia,

e ali, sozinho, és mais verdadeiro do que ousas parecer.

 

Diga-me o que sonhas, que direi o que falta à tua vida,

o vazio que tentas preencher com pressa e ruído,

a glória que persegues como quem persegue uma ferida,

o paraíso que inventaste pra fugir do que já viveu.

Pois sonhamos sempre aquilo que a realidade nos negou,

e no sonho mais simples mora a confissão mais nua.

 

Diga-me o que calas, que direi o que mais pesa,

a palavra engolida que virou nó na garganta,

o perdão que não deste e a dor que ainda represa,

a verdade que poupaste pra não ferir quem te encanta.

Pois o silêncio também é linguagem, e às vezes a mais honesta,

fala mais alto do que qualquer grito que a boca levanta.

 

Diga-me o que amas, que direi quem tu és de verdade,

o lugar onde repousas quando o mundo te cansa,

a pessoa por quem mudarias até a tua vontade,

a beleza que te faz parar e esquecer a pressa.

Pois amar é a única tradução exata da alma,

e o que amas sem disfarce é o teu ser verdadeiro.

 

Diga-me o que temes, que direi as portas que evitas,

o espelho que não encaras de manhã sem pressa,

a solidão que foge de ti e que tu também evitas,

o fim que adias como quem adia uma promessa.

Pois o medo é o mapa exato de tudo que valorizas,

e quem sabe temer sabe também o que de fato preza.

 

Diga-me o que esqueces, que direi o que ainda dói,

a data que tua memória apaga mas o corpo guarda,

o rosto que se foi e a ausência que não se esvai nem foi,

a infância que terminou sem aviso e sem guarda.

Pois esquecemos só aquilo que ainda não cicatrizou,

e o esquecimento no fundo é a forma mais triste de lembrar.




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