Há um homem que caminha,
há uma mulher que o espera,
como a terra anseia a chuva
Há uma estação para a entrega.
Eis que se encontram dois rios,
descendo de monte distinto,
e o que era água separada
se torna um só labirinto.
Ele fala como a voz de um vinho
Denso e saboroso,
ela responde com gestos de mel
Destilando sensualidade.
O diálogo entre os dois
é dança das palavras e do encontro,
um pergunta e o outro revela,
um se cala e o outro entende.
Não há pressa nesse encontro,
porque o amor não corre,
primeiro a raiz se afunda,
depois a árvore se ergue forte.
Os olhos encontram olhos,
e o céu se inclina pra ver,
porque até o Criador se alegra
quando a alma reconhece a alma.
Sinergia é a palavra
que os sábios usam pra dizer
quando duas forças soltas
se tornam uma só correnteza.
O corpo dele se aproxima
do corpo dela com reverência,
porque o desejo verdadeiro
não profana, ele consagra.
As mãos se entrelaçam,
a respiração se confunde,
e a entrega não é perda,
é a festa de quem se encontra.
O prazer que ali nasce
não é vergonha nem pecado,
é prova de que os corpos
foram feitos pra alegria,
não somente pro trabalho.
E quando se unem por fim,
há mais que carne se tocando,
há espírito com espírito,
há duas almas se completando,
e o tempo, naquele instante,
se ajoelha sem dizer nada.
Bem-aventurado o homem
que encontra uma mulher assim,
bem-aventurada a mulher
que encontra um homem assim,
pois não há sob o sol,
tesouro maior que este:
Duas almas que se entregam,
se completam e se chamam de lar.

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