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24 de junho de 2026

O Encontro, ou Provérbios do amor.


 

Há um homem que caminha,

há uma mulher que o espera,

como a terra anseia a chuva

Há uma estação para a entrega.

 

Eis que se encontram dois rios,

descendo de monte distinto,

e o que era água separada

se torna um só labirinto.

 

Ele fala como a voz de um vinho

Denso e saboroso,

ela responde com gestos de mel

Destilando sensualidade.

 

O diálogo entre os dois

é dança das palavras e do encontro,

um pergunta e o outro revela,

um se cala e o outro entende.

 

Não há pressa nesse encontro,

porque o amor não corre,

primeiro a raiz se afunda,

depois a árvore se ergue forte.

 

Os olhos encontram olhos,

e o céu se inclina pra ver,

porque até o Criador se alegra

quando a alma reconhece a alma.

 

Sinergia é a palavra

que os sábios usam pra dizer

quando duas forças soltas

se tornam uma só correnteza.

 

O corpo dele se aproxima

do corpo dela com reverência,

porque o desejo verdadeiro

não profana, ele consagra.

 

As mãos se entrelaçam,

a respiração se confunde,

e a entrega não é perda,

é a festa de quem se encontra.

 

O prazer que ali nasce

não é vergonha nem pecado,

é prova de que os corpos

foram feitos pra alegria,

não somente pro trabalho.

 

E quando se unem por fim,

há mais que carne se tocando,

há espírito com espírito,

há duas almas se completando,

e o tempo, naquele instante,

se ajoelha sem dizer nada.

 

Bem-aventurado o homem

que encontra uma mulher assim,

bem-aventurada a mulher

que encontra um homem assim,

pois não há sob o sol,

tesouro maior que este:

 

Duas almas que se entregam,

se completam e se chamam de lar.




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