Textos, contextos, pretextos, poemas, teoremas, canções, crônicas, salmos, cartas, estórias, teorias, poesias, provérbios, pensamentos, fantasias, direito, filosofia, teologia, sentimentos, versos, reversos, reflexões, intuições, orações, manuscritos, delírios, suspiros, memórias, ensaios, confissões, juramentos, mistérios, segredos, epopeias, tragédias, elogios, critérios, discursos, manifestos, declarações, insights, profecias, ensinos, alegorias, murmúrios, clamores e questionamentos.
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31 de dezembro de 2025
Da Lei Divina à Lei Humana: A Evolução dos Pecados Bíblicos em Crimes e Normas Sociais
Em verdade vos digo (...)
O que eu chamava de absoluto
cedeu à dúvida
e a dúvida me ensinou mais que a certeza.
Os muros do preconceito,
erguidos por ignorância herdada,
ruíram quando encarei o outro sem medo.
Compreender é mais difícil que julgar.
Por isso, liberta.
Minha fé desceu do céu para o chão.
Saiu dos dogmas, entrou na experiência.
Hoje, creio no que toca, no que resiste ao teste do real,
no que se prova na vida
não no que se impõe pelo medo.
A política?
Prometeu salvação, entregou abandono.
Bandeiras não pagaram minhas contas,
discursos não seguraram minha mão.
Aprendi: partidos se alimentam de esperança alheia,
não de lealdade.
Resta-me o essencial:
pensar por conta própria,
errar com honestidade,
mudar sem pedir desculpas.
Não sou menos por duvidar.
Sou mais inteiro.
Em verdade vos digo
a lucidez dói,
mas a cegueira cobra mais caro.
30 de dezembro de 2025
O Engodo Eterno: Da Caverna de Platão aos Algoritmos da IA
- Pré-história (200.000 a.C. - 10.000 a.C.): Sobrevivência tribal gera animismo e xamanismo – espíritos na natureza explicam o incontrolável, unindo grupos contra o medo primal.
- Antiguidade (3.000 a.C. - 500 d.C.): Religiões organizadas (suméria, egípcia, judaica) e filosofias como o mito da caverna de Platão revelam o sofisma: elites usam deuses para justificar impérios e escravidão.
- Idade Média (500-1500): Cristianismo e Islã dominam; Igreja controla conhecimento, prometendo paraíso eterno para aplacar fome e peste – esperança como ópio das massas.
- Iluminismo e Revoluções (século XVIII-XIX): Secularização critica dogmas religiosos, mas gera ideologias políticas (liberalismo, socialismo) – promessas de igualdade via Estado substituem deuses por messias humanos como Robespierre ou Marx.
- Século XX: Capitalismo meritocrático e totalitarismos (nazismo, stalinismo) provam falhas; guerras mundiais e Holocausto expõem ilusões, mas consumismo e esportes viram novas religiões – paixão pelo time como identidade falsa.
- Era Digital (2000-hoje): IA e redes sociais amplificam deepfakes, fake news e bolhas ideológicas; buscamos respostas simples (vacinas conspiratórias, criptomoedas salvadoras) para crises complexas como aquecimento global e desigualdade.
22 de dezembro de 2025
Soneto do Calabouço Vivo
A beleza brota na contemplação,
no espanto puro, na surpresa da vida,
calabouço de dores que nos invade,
sentimentos em excessos, vazios na mão.
Prazeres que ardem, real que nos fere,
expõe a alma nua, sem véu ou ilusão,
fé, esperança e amor são a salvação,
antídotos vivos que o sofrimento esfare.
No breu do viver, achamos o divino,
luz que trespassa o caos confinado,
esperança tece a ponte ao infinito.
Amor cura o grito, fé ilumina o caminho,
no espanto da existência, tudo é sagrado,
beleza eterna no coração ferido.
3 de dezembro de 2025
Por fim, é isso!
Abraços apertados e frios,
Olhares penetrantes e maliciosos,
Palavras, promessas e falsas formalidades (...).
A corrupção e a má intenção
Se repousam sobre interesses escusos,
A ética e a moral perderam os seus valores
Por favores e utilidades.
Ninguém te ama!
Ninguém se importa com você.
As pessoas te usam pela conveniência
E pelas vantagens que elas podem extrair.
Homens usam mulheres para o sexo,
Mulheres usam os homens por outros interesses,
As empresas exploram pessoas,
Pessoas valem-se das empresas por dinheiro,
O Estado acabrunha a sociedade
E a sociedade busca no Estado seu escombro.
Deus recompensa o céu ameaçando com o inferno
E o ser humano barganha a própria vida pelo o medo.
Por fim, é isso!
1 de dezembro de 2025
O Manual Delicado do Intolerável.
4 de novembro de 2025
O Prazer do Proibido, ou o Submundo da personalidade humana.
O que o certo manda evita o ser,
Mas o fruto escondido é sedução,
Que difícil é o homem deter.
Da ordem feita cresce a inquietude,
No não permitido nasce o desejo,
Que quebra a lei, a ética e a virtude,
E fere a confiança com seu ensejo.
Pois no proibido habita o anseio,
De sentir o risco, o fogo, a ardência,
Mesmo que ao fim reste só o vazio.
É prazer fugaz que traz receio,
Que destrói o laço e a consciência,
E cobra caro o custo do desafio.
27 de outubro de 2025
A Verdade Nua, ou o submundo da realidade.
Direi apenas e tão somente a verdade
Não pisarei em ovos com minhas palavras
A realidade não é flor de altar
Mas lámina fría sob a pele.
Compreenda que o mundo não te deve nada
Nem aplausos, nem favor e muito menos perdão.
A vida não é justa
É apenas real (nada mais que isso).
A realidade não se curva aos desejos
E não se compadece de sonhos mal vividos.
O fracasso não é falta de sorte
É o preço do conforto.
Tua dor não é castigo
É o eco das escolhas que fizeste
e fruto do acaso ainda não explicado.
Levanta-te, encare o espelho
O seu inimigo está diante de você,
O teu salvador também
A espada que corta é a mesma que liberta.
Os que encaram a dor sem fugir
Tem o privilégio de lutar pela vida.
13 de outubro de 2025
O tripé das relações humanas
Ser humilde é tocar o infinito com os pés no chão.
É reconhecer que o brilho do outro não apaga o nosso; apenas ilumina mais o caminho.
A humildade é a arte dos gigantes de alma, daqueles que não precisam subir em ninguém para enxergar longe.
Ter gratidão é dançar com o tempo, é saber que nada é por acaso, que até a dor ensina, que até o tropeço tem um propósito.
É a memória do coração, o reconhecimento silencioso de que cada gesto recebido é uma semente plantada na eternidade.
E saber pedir perdão… ah, isso é ser nobre.
É desarmar o ego, despir-se do orgulho e confessar a própria humanidade.
É curvar-se diante do outro não por fraqueza, mas por grandeza.
Pois quem pede perdão não se humilha — se liberta.
Humildade, gratidão e perdão: três pilares invisíveis que sustentam tudo o que é verdadeiramente humano.
Sem eles, o amor vira vaidade, a convivência vira disputa, e a vida perde o sentido.
Mas quando esses três caminham juntos, até o caos encontra harmonia.
Porque o coração que é humilde, grato e capaz de perdoar…
esse sim, conhece a grandeza de existir em paz.
7 de outubro de 2025
Nostalgia lúdica do tempo
O tempo… ah, o tempo é um artista cruel e sublime.
Ele pinta com pincéis de vento as lembranças que deixamos escapar pelos dedos fotogramas de um passado que insiste em viver dentro da gente.
Há dias em que a memória chega mansa, com cheiro de café e risadas antigas,
e há outros em que ela rasga o peito como um trovão que não pede licença.
A vida, essa correnteza apressada, não espera ninguém.
Pisca-se, e a infância se despede no retrovisor.
Mais um suspiro, e a juventude se torna apenas um eco nas paredes do tempo.
Tudo passa… tudo.
E cada instante, mesmo o mais simples, é um universo inteiro que se apaga ao ser vivido.
As perdas… ah, as perdas ensinam na dor o que a felicidade não ousa tocar.
Elas deixam cicatrizes que o tempo não apaga, apenas transforma em constelações silenciosas.
Mas é nas saudades que mora o ouro da alma.
Porque sentir falta é a prova de que algo foi belo o bastante pra merecer eternidade.
No fim, somos feitos de pó, lembranças e música antiga.
De rostos que se foram, de amores que ficaram na beira da estrada,
de promessas que o vento levou, e de risadas que ainda ecoam,
como se o ontem estivesse logo ali,
esperando a gente voltar, só mais uma vez.
21 de agosto de 2025
O Espelho da Essência
Se eu fosse exatamente aquilo que você imagina, um reflexo fiel de suas expectativas, uma cópia moldada ao desenho de seus desejos — ainda assim, ouso perguntar: você realmente me amaria?
Se me conheceu como sou, inteiro e imperfeito, fruto de cada queda, cada escolha e cada silêncio que me trouxeram até aqui, por que exigir que eu me torne outro? Não seria uma traição ao próprio encontro, ao instante em que nossos caminhos se cruzaram?
Cada ser é uma narrativa única, costurada por dores e encantos, escrita com erros e acertos. Apagar essa linha do tempo para agradar ao olhar do outro é renunciar à própria essência. E amar alguém só é possível quando se aceita não apenas o que encanta, mas também o que inquieta.
Portanto, se um dia você disser que me ama, que seja pelo que sou — e não por uma versão que inventou de mim. Porque amor verdadeiro não pede mudança, apenas reconhece a beleza de existir exatamente assim.
19 de agosto de 2025
O oceano do saber
12 de agosto de 2025
A Colisão Silenciosa de Mundos Internos
11 de agosto de 2025
Anistia, ou Absolvam-me — Sou Culpado de Existir
Concedam-me anistia,
não pelo que fiz,
mas pelo que a vida fez de mim.
Anistia por cada imperícia
que derramou silêncio sobre gestos que deveriam falar,
por cada imprudência
que cortou caminhos antes de ver onde levavam,
por cada negligência
que deixou a flor secar antes de dar água.
Peço anistia pelos pecados
os confessáveis e os que nem eu ouso nomear,
pelos erros que escolhi
e pelos que nasceram sozinhos,
pelos crimes sutis do dolo eventual,
pelas culpas conscientes que carreguei como pedras na língua.
Anistia por não dobrar o joelho
diante das crenças alheias,
por não ajoelhar-me ao altar de certezas
que para mim sempre foram de areia.
Anistia por largar a fé
como se larga uma carta sem destinatário,
por rasgar promessas que nunca saíram do coração.
E, sobretudo,
anistia por ser eu,
este mosaico de erros e acertos
que não escolheu as peças que o compõem.
Se houver tribunal para a alma,
que ao menos me conceda
o benefício de existir
como fui moldado.
23 de julho de 2025
Se Deus Não Existir
15 de julho de 2025
A lei da semeadura é mito
9 de julho de 2025
São o que São
As pessoas são o que são nuas de enfeite,
Sem os véus que pintamos em nossa ilusão.
Não há máscara que dure, nem alma que aceite
Ser moldada ao capricho da nossa projeção.
Criamos castelos com base em silhuetas,
Imaginamos virtudes onde só há razão,
E ao fim, tropeçamos nas mesmas canetas
Com que escrevemos contos sem chão.
O caráter não dança ao som do desejo,
Não muda por toque, carinho ou ardor.
É raiz silenciosa, sem disfarce ou ensejo,
É verdade que existe, com ou sem o amor.
A personalidade, tal qual impressão digital,
É marca que o tempo só acentua e revela.
Não se desfaz com beijos ou ideal moral,
Nem cabe na moldura da novela mais bela.
Aceita: ninguém é sonho, ninguém é mito.
Cada qual carrega luz, sombra e vício.
Faz-se sábio quem olha com olhar mais limpo,
E deixa de lado o delírio fictício.
Expectativa é a mãe do desgosto.
Fantasia, o pai do abismo emocional.
Se queres paz, encara o oposto:
Vê o outro como é humano e real.
2 de julho de 2025
Quando Amar Vira Obrigação: O Cansaço Invisível do Homem no Relacionamento.
30 de junho de 2025
O Fim Sempre Chega
Chega sem aviso, como quem parte calado,
sem deixar bilhete, sem aceno no portão.
O fim não pede licença, entra gelado,
traz nas mãos o gosto amargo da negação.
É triste ver amores que já foram céu
transformarem-se em ruínas, em poeira de memória.
Amizades viram sombras num papel,
linhas borradas no diário de uma história.
Há quem vá por escolha, há quem vá por covardia,
há quem suma na curva da mentira.
Uns traem, outros apenas esfriam por dia,
até que o silêncio inteiro os retira.
O pior não é o fim, mas o abandono lento,
a ausência que cresce sem um som,
o amor que antes era firmamento
e hoje nem sequer responde o tom.
A despedida dói mais quando é incerta,
quando o último olhar não teve nome.
É duro ver a porta ainda aberta
e saber que quem partiu já não te consome.
Intimidades viram armas em mãos frias,
segredos compartilhados viram punhais.
A confiança, antes cheia de alegrias,
hoje jaz em sepulcros emocionais.
Mas o fim... o fim sempre vem,
em cartas não escritas, em jantares sem brinde,
em corpos presentes mas olhos que não veem,
no "pra sempre" que se torna um "ainda bem que finda".
Porque tudo tem tempo, tem ciclo, tem chão,
e quem já foi casa pode virar tempestade.
Aceita-se a dor, abraça-se a solidão,
pois até na perda mora alguma verdade.
Que venham os finais, com sua foice fina,
com seus cortes que ensinam e ferem.
Ainda que o amor morra em esquina,
os que ficam, vivem. Mesmo quando perecem.
25 de junho de 2025
ENCONTRO — A OBRA DO AMOR
Não creio em sorte, nem em destino,
Nem em almas gêmeas cruzando o caminho.
Acredito no toque, no gesto contínuo,
No querer sincero que vence o espinho.
Relacionar não é conto de fada,
É sangue, suor, alma rasgada.
É relar feridas, curar com carinho,
É crescer juntos no mesmo ninho.
Não é magia, é engenharia,
Não é poema, é carpintaria.
Dois corpos distintos, dois pensamentos,
Lapidando afetos em pequenos momentos.
Não é ter tudo em comum e igual,
É amar até o que faz mal.
É saber ouvir no meio do grito,
E calar na hora do conflito.
É saber que o outro não é espelho,
Mas universo inteiro sob outro conselho.
E mesmo assim, estender a mão,
Construir com tijolo e coração.
Não é metade da laranja escolhida,
É fruta inteira, rústica, sentida.
É dividir o sumo, o bagaço e o gosto,
É brindar o amor mesmo quando é desgosto.
É entender que amar é arte bruta,
Feita de erro, de falha, de luta.
Mas se há respeito e entendimento,
Dois viram templo, viram fundamento.
Relacionar é verbo que exige ação,
É plantar a paz na contradição.
É unir propósitos sem fusão de alma,
E aprender a dançar com a calma.
Porque amar, no fim, não é destino nem acaso,
É encontro sincero no meio do atraso.
É construir, tijolo por tijolo, a ponte e o lar,
E todos os dias… decidir ficar.
A poesia dos meus defeitos, ou Retratos da minha personalidade - Fragmentos do EU.
Carta de Perdão aos que passaram pelo meu caminho
A todos que, de alguma forma, cruzaram minha jornada e guardam feridas visíveis ou não causadas por mim, venho com sinceridade despir a alma diante do tempo.
Peço perdão.
Perdão às pessoas que decepcionei com minhas escolhas, palavras ríspidas, silêncios mal explicados ou atitudes impensadas. Perdão aos que confiaram em mim e eu, por egoísmo, cansaço ou confusão, trai essa confiança. Perdão aos que foram bons, generosos, leais e não tiveram a devida reciprocidade. Aos que me estenderam a mão e eu não soube segurar. Aos que me ofertaram amor, tempo e cuidado, e eu não valorizei como deveria.
Peço perdão às amizades que se tornaram ruínas, não por ódio, mas por desencontros e por minha incapacidade de sustentar vínculos quando minha alma gritava por mudança. Precisei me afastar para sobreviver, para reencontrar quem sou, mas isso não anula as feridas causadas por minha ausência.
Peço perdão a cada mulher que passou pela minha vida e encontrou em mim algo que não pude sustentar. Não me orgulho dos desencontros, dos afetos interrompidos, das promessas não cumpridas. Se amei mal, se parti corações, se fui egoísta, perdoem-me.
Peço perdão, também, àqueles que me feriram. Aos que mentiram, traíram, rejeitaram. Aos que partiram sem olhar para trás. Não peço desculpas por me machucar, mas por talvez não ter conseguido corresponder às expectativas, por não ter sido a pessoa que esperavam. Perdoar vocês é me libertar de mim mesmo. Não guardo mágoas, só lições.
Mas, sobretudo, peço perdão a mim.
Por todas as vezes que me abandonei tentando agradar. Por todas as vezes que fugi do espelho, com vergonha de quem me tornei. Por todas as vezes que cobrei demais e amei de menos quem eu era. Por ter cultivado culpas em vez de plantar consciência. Hoje, decido me amar. Decido me perdoar. Não para me eximir, mas para evoluir.
Não escrevo esta carta para buscar pena. Não sou vítima, nem algoz. Escrevo porque preciso romper com os grilhões invisíveis do passado. Preciso respirar fundo e caminhar sem carregar o fardo das culpas, nem as desculpas que nunca recebi. Peço perdão porque quero ser livre. Porque só perdoando posso reconstruir por dentro e por fora.
A quem quiser acolher esse pedido, que o faça em seu tempo, ou que apenas guarde em silêncio. Não espero absolvição.
Espero cura.
Todos os textos são autoria de Giliardi Rodrigues. Proibida a reprodução de qualquer texto sem prévia autorização do autor.

