Visitantes

Mostrando postagens com marcador discreto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador discreto. Mostrar todas as postagens

6 de abril de 2026

O Avesso das Coisas


 



Um dia me disseram que o mel era amargo,

que o rio não corria, só fingia o caminho (...)

sem saber, me entregaram um mapa bem largo

e eu aprendi a sair do meu próprio labirinho.

 

Me disseram que o fogo não aquecia ninguém,

que a estrela era falsa pintada no teto

e nessa mentira havia um presente também:

aprendi a buscar a luz no lugar mais discreto.

 

Às vezes a verdade vem disfarçada de erro,

um tropeço que abre a porta que eu não via

o que parecia muro era só vidro mero,

e o que chamavam de fim era só a saída.

 

Me disseram que o pão não sustentava a fome,

que a sombra era mentira que o sol inventou

e cada ilusão desfeita que eles me impõem

foi um gradeado a menos que o tempo quebrou.

 

Hoje sei que o engano pode ser libertador,

que cada véu rasgado é uma janela que nasce

quem me quis preso me deu, sem querer, a melhor

das ferramentas: a dúvida que tudo desfaz e refaz.

 

 

Todos os textos são autoria de Giliardi Rodrigues. Proibida a reprodução de qualquer texto sem prévia autorização do autor.

Powered By Blogger