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2 de fevereiro de 2026

Espelho Partido


 

A mesa posta do afeto, sentam-se dois estranhos

Que um dia se amaram e foram apenas um.

Ele tentando reconhecer a mulher que um dia amou

E Ela observando um estranho como nunca o tivesse visto.

 

Um narcisista e outro egocêntrico sentados frente a frente,

Afogados entre o rancor e a ingratidão.

Repetindo palavras alheias

Expondo feridas que nunca foram curadas.

 

Uma contabilidade jurídica afetiva que não fecha,

Onde cada beijo é uma moeda e cada abraço um desagravo.

Nos olhares apenas ressentimento com reflexos de dores

E imagens de um passado que nunca foi superado e ressignificado.

 

Palavras vazias ecoam no abismo da desilusão

Pelo o espelhamento psicológico de um amor doente.

As línguas prontas para destilar o veneno

Que derrama para dentro do coração.

 

Cada um projeta no outro o carrasco e a vítima,

o salvador e o náufrago, o algoz e o inocente,

numa dança de máscaras que se tornou rotina.

Até que o espelho racha refletindo imagens despedaçadas pelos cacos.

 

Resta a pergunta que nenhum dos dois ousa fazer:

Quem é o ingrato, aquele que não agradece

ou aquele que dá esperando receber,

mantendo o livro-caixa do amor que perece?

 

Na Academia das Dores Compartilhadas,

onde se estuda a anatomia dos afetos despedaçados,

fica a lição escrita em versos e em lágrimas guardadas:

amor não é espelho; é janela para o outro lado.




17 de junho de 2025

A Flor da Ingratidão, ou Também amar é ser ferido.



Sim, eu vi…
Você deu tudo de si.
O tempo, o riso, o ombro, o pão.
Ofereceu o que tinha e o que não cabia no bolso,
mas transbordava da alma.

E no entanto,
vieram os dentes onde esperava abraços.
Vieram os olhos tortos onde plantou sinceridade.
Veio o silêncio frio onde habitava sua ternura.

A tragédia da ingratidão não é o esquecimento,
mas a perversão da memória.
Porque não apenas esquecem o que você fez,
mas distorcem o que você foi.

Hoje te aplaudem,
amanhã te apedrejam
e, ironicamente, pelo mesmo gesto.
A mão que salvou também assusta.
O amor que cura também incomoda.

O ingrato não é aquele que não retribui,
é aquele que transforma o bem em suspeita.
É aquele que te olha com o mesmo olhar
com que um lobo observa a mão que alimenta.

Faça o bem e serás criticado por querer parecer santo.
Fale a verdade e será odiado por não ser cúmplice.
Dê amor demais e dirão que é carência.
Afaste-se e dirão que é orgulho.

Se fores gentil, te chamarão de falso.
Se fores direto, te acusarão de rude.
Se fores forte, dirão que és autoritário.
Se fores frágil, rirão da tua fraqueza.

O mesmo sol que aquece, queima.
O mesmo rio que irriga, inunda.
O mesmo coração que ama, apodrece quando pisado.

E então você aprende…
Que não importa o quanto se esforce,
você será lido com os olhos dos outros.
E olhos, meu caro, não são espelhos.
São prismas distorcidos de mágoas não suas.

Mas ainda assim; faça.
Ame, mesmo que cuspam.
Ajude, mesmo que esqueçam.
Perdoe, mesmo que zombem.

Porque a alma que serve não o faz por resposta,
mas por essência.
E é aí que a ingratidão revela sua beleza oculta:
ela não destrói o valor do gesto,
apenas revela o vazio do recipiente que o recebeu.

E no fim, lembre-se:
Alguns te amarão pelo que és.
Outros te odiarão pelo mesmo motivo.
Mas tua missão não é ser aceito.
É ser inteiro.




Todos os textos são autoria de Giliardi Rodrigues. Proibida a reprodução de qualquer texto sem prévia autorização do autor.

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