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12 de março de 2026

Impérios da Razão e o Fogo da Paixão





        Nas auroras ancestrais, o homem ergueu-se da terra nua, forjado no fogo da guerra e no suor do labor, guiado pela razão afiada como lâmina de ferro. Seus braços, calejados pela enxada e pela espada, traçaram os primeiros impérios: muralhas de pedra que desafiavam os céus; canais que domavam rios selvagens; cidades que pulsavam com o ritmo da sobrevivência. Com olhos frios e mente calculista, ele conquistou desertos, ergueu pirâmides sob o sol impiedoso do Nilo, onde os faraós teciam destinos eternos em linhagens de poder absoluto. Roma nasceu assim, de legiões marchando em fileiras perfeitas, de césares que mediam o mundo em mapas de conquista, pavimentando estradas que uniam continentes sob o jugo da lei racional.

        Mas a paixão, esse vendaval sutil da alma, sussurrava nos ventos da noite, recordando que o coração humano não se contenta com torres inabaláveis. Adão, pai primordial, provou o fruto proibido não por fraqueza, mas pelo fogo da curiosidade partilhada; e o paraíso rachou-se em lições de mortalidade. Abraão, patriarca das areias, viu em Sara não a ruína, mas o milagre da promessa divina, gerando nações de um ventre estéril. Sansão, titã de força hercúlea, encontrou em Dalila o espelho de sua própria vulnerabilidade; e, nas tranças cortadas, o colapso de um templo que ecoou a fragilidade de todo herói. Davi, rei poeta, dançou perante a arca com Batseba em seus sonhos; e, de sua paixão, nasceram salmos que ainda guiam multidões, ainda que o sangue de Urias manchasse o trono.

        Salomão, sábio entre os sábios, construiu o templo de ouro com a razão de mil provérbios; mas as setecentas rainhas e trezentas concubinas teciam, em seu palácio, os fios da discórdia, dissipando a glória em ventos de idolatria. Alexandre, o Grande, varreu o Oriente com falanges invencíveis, unindo gregos e persas num sonho helénico; até que Roxana, a princesa bárbara, acendesse em seu peito o desejo que o fez pausar exércitos, morrendo jovem em Babilónia, com impérios partidos como vidro. Em Troia, o nobre Príamo viu seu reino em chamas por Helena, cuja beleza não era veneno, mas o espelho da guerra que os homens já carregavam no sangue. Lampião, cangaceiro das caatingas, rei do sertão com sua espingarda e sua lei, sucumbiu ao amor por Maria Bonita; e, juntos, forjaram lendas de rebeldia, caindo não em derrota, mas na eternidade de um abraço final.

        Clóvis, conquistador franco, unificou gauleses sob a cruz; mas sua rainha Clotilde dobrou-o à fé cristã, transformando impérios pagãos em reinos de luz. Napoleão, águia corsa, redesenhou a Europa com códigos e canhões; até que Josefina envolvesse seu coração em sedas que o fizeram chorar no divórcio, ecoando nas campanhas da Rússia como um presságio de queda. Mesmo em eras modernas, Rockefeller ergueu torres de petróleo com a frieza do cálculo; mas o amor por suas herdeiras tecia, nas veias dos impérios, o calor humano que os humanizava. A paixão não corrompe; ela dissolve as muralhas da razão pura, revelando que o homem, em sua essência, é ponte entre o titã e o sonhador, entre o império eterno e o instante fugaz.

        Assim, os reinos caem não por traição feminina, mas porque a alma anseia o todo: razão para erguer, paixão para sentir. Nos escombros de Babel e nas cinzas de Cartago, renascem novas catedrais, onde o homem, renovo da terra, equilibra espada e lira, conquistando não só o mundo, mas a si mesmo.




25 de fevereiro de 2026

Libertação das Sombras, ou a Dor de um homem que se libertou ao olhar no espelho.





Culpei-me demais, carreguei cruzes alheias,
pesos que não eram meus, correntes de ilusão.
Busquei aceitação em olhares vazios,
validação em mãos que me repeliam.

Fiz tudo certo, reto como flecha,
mas o reconhecimento fugiu, invisível.
Valorizei amizades frágeis como vidro,
mulheres e ciclos que me renegaram.

Chorei rios de exclusão, amargura pura,
dei tudo certo e colhi o errado em dobro.
Amei sem retorno, amigo de almas distraídas,
trabalhei em sombras onde nem existia.

Ingratidão foi o eco das minhas dádivas,
coração exposto, ferido em silêncio.
Mas hoje despertei, lições gravadas na alma,
vivo bem comigo, soberano no meu reino.

Não mais peço migalhas de aprovação,
encontro paz no espelho que não mente.
Das cinzas da dor, ergueu-se minha luz,
livre, inteiro, em harmonia consigo.



15 de janeiro de 2026

Presente supremo

             



          Esqueço nomes assim como esqueço rostos, minha sina é o desapego total. Pessoas vêm e vão - eu continuo e apenas continuo com meus pensamentos e minha forma original de ser. 

Sou um mero esquecedor e ignorador de opiniões alheias. Por mim, formalidades se afundam no abismo do esquecimento. Não me importo se nasceu ou se morreu. Se casou e se divorciou. Se gosta ou ignora. Se é importante ou não - Apenas observo e extraio o momento. 

Importo-me apenas com o prazer, com o instante, com o presente, com a dádiva de degustar, de experimentar e viver. Felicidade, esperança, fé e ideologias são apenas fábulas que se evaporam no tempo. 

Do passado não me lembro mais!

No futuro não estou lá ainda e não sei se vou chegar.  

Como agente trivial, sazonal e temporal; A mim vale apenas o presente que me é supremo.





Todos os textos são autoria de Giliardi Rodrigues. Proibida a reprodução de qualquer texto sem prévia autorização do autor.

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