Visitantes

27 de março de 2026

Gozar é sentir dor e sobreviver.



Minha mente traidora deixou escapar em um momento de relapso um “te amo”, confesso que não sei de onde brotam estas coisas. Será meu subconsciente me boicotando? Pois o único amor que considero é aquele que arde pela a minha própria vida. Pelo qual me sacrifico em noite de dor, em dias pelo o trabalho e pelo o lamento que clamo através das lágrimas que jorram para dentro e congelam meu coração.

            Sobrevivo nas sombras onde o ego se ergue e me bate forte e sem piedade. Não posso amar alguém mais que a mim, no meu peito um tropo que não é narcisismo vil e nem um egoísmo. Apenas amor-próprio. É uma raiz profunda que me faz firme e ao mesmo tempo me permite voar sem tirar os pés do chão.


Todos os dias eu me escolho primeiro, 

olho no espelho e reflito sobre o meu brilho sagrado.


Vida minha, minha vida...

Altar onde queimo incenso por minhas lutas diárias,

Me abraço na solidão

E vibro solitário nas vitorias efêmeras.

Me defendo das garras do tempo

E das memorias da rejeição.

O medo é fogo que arde dentro de mim

Mas esta chama me purifica em essência

De caos, de solitude, de dor e prazer.

Meu gozo é constante e sem fronteiras. 





21 de março de 2026

O evangelho de um sofista.



Prometem sabedoria em fluxos de razão.
Mas raiz da verdade brota em solo puro,
Não em ventos de debate, eco vazio e duro.
Sofisma engana o ouvido, cega o olhar sincero,
Verdade liberta o jugo, faz o cego enxergar zero.

Relativismo dança em sombras de dialeto,
Tudo flui, nada é, mente o eco inquieto.
Pedra angular resiste ao embate do mar,
Fundamento eterno, não areia a se esparramar.
Argumento vazio colhe frutos de espinho,
Caminho estreito guia, largo leva ao abismoinho.

Disputas verbais constroem torres de Babel,
Idiomas de orgulho, ruína inevitável.
Humildade escuta o sussurro do céu azul,
Não grita em praças, nem busca aplauso cruel.
Sofista vende fumaça por ouro fingido,
Reino vem aos pequeninos, sábios ficam vendidos.

Luz simples ilumina o que treva complica,
Enigmas de Atenas só a alma envenena e afasta.
Frutos revelam a árvore, não a casca polida,
Doçura no coração, não na língua erguida.
Palavras como vento sem semente no chão,
Verdade semeia vida, sofisma traz ilusão.

Juízo final pesa atos, não retórica fina,
Coração impuro trai a máscara divina.
Sofistas tecem redes para peixes errantes,
Mas rede do amor atrai os verdadeiramente gratos.
Falsos profetas uivam como lobos vorazes,
Voz do Pastor chama, ecoa em vales audazes.

Engodo grego desaba ante a rocha imutável,
Palavras de eternidade, inabalável e cabal.
Sim, não e basta; resto é fumaça e vaidade,
Sabedoria dos céus dissipa a falsidade.
Sofisma perece no fogo da prova real,
Verdade ressuscita, eterna e triunfal.



Máscaras Caídas


 

Infelizmente ou quem sabe felizmente,

conhecemos as pessoas no adeus final.

A amizade, banal como o dia a dia,

o amor, disfarce de interesses vorazes.

Juras? Sombras passageiras no vento.

 

Agora o véu rasgado e indiferença fria,

raiva que ferve, vingança sussurrada,

desejo torpe de ver o outro ruir.

Quem diria? Ao lado do inimigo,

o tempo todo, sorrindo em conluio.

 

Surpresa cruel e lição das profundezas:

o caráter humano é uma serpente adormecida,

morde sem aviso, revela o abismo.

Eu sigo, sem rancor, sem peso no peito,

a vida segue tecendo maturidade nas feridas.





Adeus...



Era ela

Uma menina tão bela

Seus cabelos cor de sol

E seus lábios ardentes de paixão

 

Era ela

que morou por anos em meus pensamentos

Um amor perdido no tempo

Que por motivos não havia razão

 

Era ela

Que me abandonou

Que me rejeitou

E do nada reapareceu dizendo que me amava

 

Era ela

Que tentou me seduzir

Insinou como se nada tivesse acontecido

E me implorou amor

 

Era ela

Que me fez perder o apreço

Me mostrou na história

O amor também tem um fim

 

Era ela... Adeus.

 

 

19 de março de 2026

Espelho de Gelo





Mentiras, traições, laços de puro interesse,

relações convenientes e frias como o aço.

Calo-me! não por fraqueza, mas por sabedoria,

no espelho de gelo, ergue-se minha razão pura.



Vivo no preço do silêncio,

observador quieto, como o filósofo em vigília.

Pensamentos densos, profundos como o abismo,

dilatam-se em versos enigmáticos e sublimes.



Minha quietude é arte de bem observar,

pois se o mar é perplexo, eu sou o navio firme.

Navego impassível, guiado pela phronesis,

virtude prática que o caos não submerge.



Dizem que o amor é eterno, luz inabalável,

mas quem me jurou paixão hoje foge em silêncio.

Hipocrisia vela o que a boca proclama,

falsa eternidade, ilusão dos sentidos.



Amor verdadeiro busca o bem comum,

não o prazer fugaz nem o interesse torpe.

Aristóteles ensina: é hábito da alma nobre,

união de vontades em busca da eudaimonia.



Mas o que vi foi ouro falso em abraços,

promessas vazias, como sombras na caverna.

Saio das correntes, rumo à luz da razão,

onde o coração aprende a não se iludir.



Traídos renascemos, mais fortes no gelo,

cicatrizes como logos, guias do caminho.

Não odeio o mentiroso, pois ele é escassez,

falta de virtude que o tempo revela nua.



No silêncio expando o que a alma contempla,

versos como catarse, purgam a dor antiga.

Observo o teatro humano, com olhos de águia,

e escolho o meio dourado, longe dos excessos.



Hipocrisia é pathos sem telos divino,

amor sem substância, eco de vazio.

Eu, navio racional, corto as ondas traiçoeiras,

rumo à areté, excelência em solidão serena.



Assim calo e vivo, eterno aprendiz,

no preço do silêncio, sabedoria conquista.

O amor, se verdadeiro, há de provar-se no fogo,

e eu, de gelo forjado, navego à luz do justo.





13 de março de 2026

O Preço do Silêncio




Nas dobras do tempo onde o eco se cala,
um vulto emerge das cinzas do olvido.
Passos gravados em solos áridos,
solitário tecelão de noites sem fim.

Cicatrizes como mapas traçadas em segredo,
lições colhidas de abismos alheios.
Mestre das sombras, ele dança sozinho,
abraçando o vazio como velho confidente.

Das ruínas brotou a armadura de ferro,
desilusões forjadas em fornalhas frias.
No espelho, o reflexo sussurra: "Guarda-te",
pois o afeto próprio é chave de masmorras.

Sentou à mesa dos reis e dos mendigos,
bebeu do cálice amargo da abundância e da fome.
Centenas de véus roçaram sua pele,
uma só prendeu o coração em rede de estrelas.

Riquezas fluíram como rios efêmeros,
sequias o moldaram em essência pura.
E no silêncio final, o veredito: tudo pesava ouro,
renasceria das próprias brasas, sem remorso.

Que mistério pulsa nessa alma blindada?
Um homem que ri das tormentas passadas,
pronto para o ciclo eterno de quedas e voos,
pagando o preço do silêncio com o preço da vida.



12 de março de 2026

Impérios da Razão e o Fogo da Paixão





        Nas auroras ancestrais, o homem ergueu-se da terra nua, forjado no fogo da guerra e no suor do labor, guiado pela razão afiada como lâmina de ferro. Seus braços, calejados pela enxada e pela espada, traçaram os primeiros impérios: muralhas de pedra que desafiavam os céus; canais que domavam rios selvagens; cidades que pulsavam com o ritmo da sobrevivência. Com olhos frios e mente calculista, ele conquistou desertos, ergueu pirâmides sob o sol impiedoso do Nilo, onde os faraós teciam destinos eternos em linhagens de poder absoluto. Roma nasceu assim, de legiões marchando em fileiras perfeitas, de césares que mediam o mundo em mapas de conquista, pavimentando estradas que uniam continentes sob o jugo da lei racional.

        Mas a paixão, esse vendaval sutil da alma, sussurrava nos ventos da noite, recordando que o coração humano não se contenta com torres inabaláveis. Adão, pai primordial, provou o fruto proibido não por fraqueza, mas pelo fogo da curiosidade partilhada; e o paraíso rachou-se em lições de mortalidade. Abraão, patriarca das areias, viu em Sara não a ruína, mas o milagre da promessa divina, gerando nações de um ventre estéril. Sansão, titã de força hercúlea, encontrou em Dalila o espelho de sua própria vulnerabilidade; e, nas tranças cortadas, o colapso de um templo que ecoou a fragilidade de todo herói. Davi, rei poeta, dançou perante a arca com Batseba em seus sonhos; e, de sua paixão, nasceram salmos que ainda guiam multidões, ainda que o sangue de Urias manchasse o trono.

        Salomão, sábio entre os sábios, construiu o templo de ouro com a razão de mil provérbios; mas as setecentas rainhas e trezentas concubinas teciam, em seu palácio, os fios da discórdia, dissipando a glória em ventos de idolatria. Alexandre, o Grande, varreu o Oriente com falanges invencíveis, unindo gregos e persas num sonho helénico; até que Roxana, a princesa bárbara, acendesse em seu peito o desejo que o fez pausar exércitos, morrendo jovem em Babilónia, com impérios partidos como vidro. Em Troia, o nobre Príamo viu seu reino em chamas por Helena, cuja beleza não era veneno, mas o espelho da guerra que os homens já carregavam no sangue. Lampião, cangaceiro das caatingas, rei do sertão com sua espingarda e sua lei, sucumbiu ao amor por Maria Bonita; e, juntos, forjaram lendas de rebeldia, caindo não em derrota, mas na eternidade de um abraço final.

        Clóvis, conquistador franco, unificou gauleses sob a cruz; mas sua rainha Clotilde dobrou-o à fé cristã, transformando impérios pagãos em reinos de luz. Napoleão, águia corsa, redesenhou a Europa com códigos e canhões; até que Josefina envolvesse seu coração em sedas que o fizeram chorar no divórcio, ecoando nas campanhas da Rússia como um presságio de queda. Mesmo em eras modernas, Rockefeller ergueu torres de petróleo com a frieza do cálculo; mas o amor por suas herdeiras tecia, nas veias dos impérios, o calor humano que os humanizava. A paixão não corrompe; ela dissolve as muralhas da razão pura, revelando que o homem, em sua essência, é ponte entre o titã e o sonhador, entre o império eterno e o instante fugaz.

        Assim, os reinos caem não por traição feminina, mas porque a alma anseia o todo: razão para erguer, paixão para sentir. Nos escombros de Babel e nas cinzas de Cartago, renascem novas catedrais, onde o homem, renovo da terra, equilibra espada e lira, conquistando não só o mundo, mas a si mesmo.




11 de março de 2026

O amor egoísta, ou o egoísmo de quem ama.




Nas sombras do meu peito, um amor se esconde,
selvagem e solitário, rei sem coroa.
Ele sussurra segredos no escuro profundo,
"Primeiro eu, depois o mundo, em chamas devora".

Individualista, fiel só ao meu reflexo,
tece lealdade em fios de egoísmo puro.
Meu caráter é chama que não se apaga,
personalidade voraz, identidade escura.

Transbordo para ti, família, amigos, mulheres,
como rio que inunda sem perder a fonte.
Amo a vida em golfadas de paixão febril,
mas no fundo do poço, guardo o meu monte.

Ó mistério ardente, paixão que não divide,
você é meu veneno, meu néctar divino.
Amo o outro em ecos do meu próprio grito,
e no espelho quebrado, danço sozinho.



10 de março de 2026

Sombras do Desejo Oculto



Eu caminho nas brumas do crepúsculo,

onde o eco dos passos não revela o fim.

Ambicioso como o rio que cava montanhas,

sedutor no sussurro que atrai sem prender.

 

Atraente nas curvas da noite sem lua,

meu reflexo dança no espelho da alma

amor próprio, raiz que não se curva ao vento,

guardião silencioso de um fogo eterno.

 

Leal como a estrela que vela o horizonte,

individual na trilha que só eu decifro,

racional no labirinto de impulsos traídos,

onde escolho o caminho com olhos de enigma.

 

Quem sou eu? Um véu sobre o abismo chama,

um mistério que pulsa, tece e desvanece.

Aproxime-se devagar... ou fuja do fascínio,

pois em mim, o segredo devora quem o busca.




Todos os textos são autoria de Giliardi Rodrigues. Proibida a reprodução de qualquer texto sem prévia autorização do autor.

Powered By Blogger