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21 de março de 2026

Adeus...



Era ela

Uma menina tão bela

Seus cabelos cor de sol

E seus lábios ardentes de paixão

 

Era ela

que morou por anos em meus pensamentos

Um amor perdido no tempo

Que por motivos não havia razão

 

Era ela

Que me abandonou

Que me rejeitou

E do nada reapareceu dizendo que me amava

 

Era ela

Que tentou me seduzir

Insinou como se nada tivesse acontecido

E me implorou amor

 

Era ela

Que me fez perder o apreço

Me mostrou na história

O amor também tem um fim

 

Era ela... Adeus.

 

 

25 de fevereiro de 2026

Dor que Mora em Mim, ou a Razão do meu viver.



A dor que dói em mim, dói só em mim,
eco solitário no peito vazio.
O mundo é pedra bruta, sem compaixão,
cruel labirinto de espinhos e vazio.

Não culpo o céu nem a terra impiedosa,
nasci entre sombras, forjada no pranto.
Sofrer é meu fado, minha sina oculta,
raiz profunda que o tempo não arranca.

Ó Deus, se és bom e justo como dizem,
por que permites o rio de lágrimas?
Pessoas caem, como folhas no outono,
e eu fico só, com feridas sem fim.

Traumas que pesam, limitações frias,
tristezas que mordem, angústias sem voz.
Decepções tecem minha rede de espinhos,
vivo e sobrevivo, sem paz, sem luz.

Quem me livrará deste abismo sem fundo?
Não peço piedade, só força pra erguer.
Na dor inerente, busco um sussurro,
de sentido oculto no meu padecer.




15 de janeiro de 2026

Presente supremo

             



          Esqueço nomes assim como esqueço rostos, minha sina é o desapego total. Pessoas vêm e vão - eu continuo e apenas continuo com meus pensamentos e minha forma original de ser. 

Sou um mero esquecedor e ignorador de opiniões alheias. Por mim, formalidades se afundam no abismo do esquecimento. Não me importo se nasceu ou se morreu. Se casou e se divorciou. Se gosta ou ignora. Se é importante ou não - Apenas observo e extraio o momento. 

Importo-me apenas com o prazer, com o instante, com o presente, com a dádiva de degustar, de experimentar e viver. Felicidade, esperança, fé e ideologias são apenas fábulas que se evaporam no tempo. 

Do passado não me lembro mais!

No futuro não estou lá ainda e não sei se vou chegar.  

Como agente trivial, sazonal e temporal; A mim vale apenas o presente que me é supremo.





31 de dezembro de 2025

Da Lei Divina à Lei Humana: A Evolução dos Pecados Bíblicos em Crimes e Normas Sociais





        A noção de "pecado" na Bíblia, codificada há mais de três mil anos por tribos nômades do deserto do Oriente Médio, representava um código espiritual rígido, muitas vezes arbitrário, que regulava a vida cotidiana sob pena de punição divina. Esses preceitos, enraizados em contextos tribais, patriarcais e agrários, foram superados pelo avanço da sociedade humana. O que outrora era "pecado" — uma ofensa contra deuses irados — foi absorvido pelas constituições modernas, pelos direitos humanos universais e pelas condutas éticas da convivência civilizada. Hoje, o Código Penal e o Código Civil tipificam como crimes graves o que a Bíblia condenava como impureza espiritual; questões menores viraram mera imoralidade ou falta de ética. Essa transição não é mero acidente histórico, mas fruto da razão coletiva, do Iluminismo, das revoluções sociais e do humanismo secular. Neste ensaio, comparamos esses "pecados" com as leis contemporâneas, destacamos os absurdos bíblicos abolidos e traçamos a evolução do direito e da sociedade, com ênfase na emancipação feminina.

Pecados Absorvidos: Do Sagrado ao Secular

        Muitos mandamentos bíblicos foram secularizados, perdendo o manto divino para ganhar força legal. Tomemos o assassinato: no Êxodo 20:13, "Não matarás" é o sexto mandamento, um pecado capital punido com a ira de Deus. Hoje, o artigo 121 do Código Penal brasileiro define homicídio como crime, com penas de 6 a 20 anos de reclusão, sem apelos a entidades sobrenaturais. O roubo, proibido em Êxodo 20:15, vira furto ou roubo (artigos 155 e 157 do CP), com agravantes para vulneráveis. A mentira, outrora pecado contra o nono mandamento ("Não darás falso testemunho"), é agora crime de calúnia, difamação ou injúria (artigos 138 a 140), regulado pela esfera civil e penal.

        O dízimo, instituído em Deuteronômio 14:22-29 para sustentar viúvas, órfãos, estrangeiros e levitas no Templo, era uma obrigação espiritual sob risco de maldição divina (Malaquias 3:8-10). Hoje, o Estado brasileiro, via Constituição Federal de 1988 (artigo 6º), cobra impostos como IR, ICMS e contribuições previdenciárias, destinando-os a programas sociais como Bolsa Família, SUS e aposentadorias. A sociedade evoluiu de uma teocracia tribal para um welfare state laico, onde a solidariedade é dever cívico, não barganha com deuses.

        Esses exemplos ilustram a absorção: o que era "pecado" contra Javé virou crime contra a sociedade ou obrigação contratual. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) elevou isso a patamar universal, priorizando a dignidade humana sobre dogmas antigos.

Absurdos Abolidos: Práticas "Normais" que Hoje São Crimes Hediondos

        A Bíblia não só condenava pecados, mas normalizava horrores que chocam a consciência moderna. Esses absurdos, vistos como vontade divina, foram varridos pela evolução ética e legal, expondo a limitação temporal de textos sagrados.

        A escravidão, longe de ser pecaminosa, era endossada. Em Levítico 25:44-46, hebreus podiam comprar escravos de nações vizinhas como "propriedade perpétua", herdáveis como gado. Êxodo 21:20-21 permite bater no escravo sem punição, desde que não morra imediatamente. Paulo, no Novo Testamento (Efésios 6:5), exorta escravos a obedecerem senhores "como a Cristo". Hoje, a escravidão é crime inafiançável no Brasil (artigo 149 do CP, Lei 13.344/2016), condenado pela ONU como violação aos direitos humanos. A sociedade aboliu o que a Bíblia santificava, graças a abolicionistas como Joaquim Nabuco e à Convenção 29 da OIT (1930).

    Sacrifícios animais, rotina no Antigo Testamento (Levítico 1-7), envolviam milhares de bois, ovelhas e aves queimados para apaziguar Deus — um "cheiro suave" (Gênesis 8:21). Hoje, isso é crime de maus-tratos (Lei 9.605/1998, artigo 32), com penas de detenção e multa. A proteção animal evoluiu de pitágoras à legislação ambiental, priorizando empatia sobre rituais sangrentos.

        A lapidação por adultério ou blasfêmia era mandamento divino: Levítico 20:10 prescreve morte por apedrejamento para adúlteros; Deuteronômio 13:6-10, para quem seduzisse à idolatria, inclusive familiares. Em João 8:3-11, fariseus tentam apedrejar uma adúltera perante Jesus. Hoje, tais execuções sumárias violam o devido processo legal (Constituição, artigo 5º, LVII) e são genocídio ou crime contra humanidade (Estatuto de Roma, 1998). A pena de morte, comum na Bíblia (mais de 30 ofensas capitais), foi abolida no Brasil desde 1889, refletindo o humanismo kantiano: tratar pessoas como fins, não meios.

        Outros absurdos: comer mariscos ou coelhos era "abominação" (Levítico 11:7-12), punível espiritualmente; hoje, é liberdade alimentar. Trabalhar no sábado merecia morte (Êxodo 31:14-15); agora, é direito trabalhista (CLT, folga semanal). Homossexualidade era pecado mortal (Levítico 20:13, morte por lapidação); hoje, é orientação protegida pela Constituição (artigo 5º, XLI) e STF (ADO 26/2011), com casamento igualitário.

        Esses exemplos revelam a Bíblia como produto de sua era: útil para coesão tribal, obsoleta para civilizações complexas.

A Mulher: Da Submissão à Igualdade Plena

        O tratamento à mulher na Bíblia exemplifica o patriarcado mais cruel, normalizado como ordem divina. Gênesis 3:16 condena Eva à submissão eterna: "Teu desejo será para teu marido, e ele te governará". Números 30:3-15 permite que pais ou maridos anulem votos femininos, tratando-as como incapazes. Em Êxodo 21:7-11, uma filha vendida como escrava concubina não ganha liberdade após seis anos. Levítico 12:2-5 impõe impureza ritual maior à mulher pós-parto de menina (14 dias vs. 7 de menino). Adultério era pecado só para mulheres (Deuteronômio 22:22), enquanto homens podiam ter múltiplas esposas (2 Samuel 5:13). No Novo Testamento, 1 Coríntios 14:34 manda mulheres "calar-se na igreja" e 1 Timóteo 2:12 proíbe-as ensinar ou autoridade sobre homens.

        Estupro? Deuteronômio 22:28-29 obriga a vítima a casar com o agressor, pagando 50 siclos ao pai — uma transação comercial. Viúvas e divorciadas eram economicamente dependentes, sem herança (Números 27 é exceção rara).

        Hoje, a revolução é radical. A Constituição de 1988 garante igualdade (artigo 5º, I), voto feminino desde 1932 (Lei 1.076, ampliado em 1934), e Lei Maria da Penha (11.340/2006) pune violência doméstica. Mulheres votam, elegem-se (Dilma Rousseff foi presidente), administram empresas (55% das microempresas no Brasil são femininas, Sebrae 2023) e dominam universidades (57% dos inscritos no Enem 2023, Inep). Globalmente, Angela Merkel, Jacinda Ardern e Christine Lagarde exemplificam liderança feminina. Essa evolução veio de sufragistas como Olympe de Gouges e Simone de Beauvoir, não de textos sagrados.
A Evolução da Sociedade e do Direito: Razão Sobre Revelação

        A sociedade progrediu de teocracias medievais para democracias laicas, guiada pela razão iluminista (Locke, Voltaire, Rousseau). A Magna Carta (1215) plantou sementes de direitos; revoluções Francesa (1789) e Americana (1776) sepultaram o divino direito dos reis. Darwin (1859) e Freud (séc. XX) desmistificaram o homem como centro divino, pavimentando o secularismo.

        No Brasil, a Constituição de 1988 — pós-ditadura — consagra dignidade (artigo 1º, III), pluralismo religioso e laicidade estatal. Direitos Humanos, via Pacto de San José da Costa Rica (ratificado em 1992), protegem minorias que a Bíblia oprimia. A ética evoluiu de "olho por olho" (Êxodo 21:24) para reabilitação penal (Lei de Execução Penal 7.210/1984).

        Essa trajetória mostra leis como construção humana, adaptável. O que era "normal" — escravidão, misoginia, sacrifícios — caiu porque a empatia coletiva cresceu. Países como a Noruega (índice de igualdade 0,84, Fórum Econômico Mundial 2023) exemplificam o auge: prisões restaurativas, paridade de gênero, proteção animal.

Conclusão: Superação do Passado Tribal

         Não existe pecado eterno; há normas transitórias. A Bíblia, relíquia poética de nômades, foi superada por constituições vivas, direitos humanos e ética societal. Absurdos como escravidão endossada, lapidações e subjugação feminina foram abolidos não por nova revelação, mas por consciência coletiva. Hoje, mentiras viram fake news reguladas (PL 2630/2020); discriminação, crime (Lei 7.716/1989). A humanidade evolui: de deuses vingativos a solidariedade racional. Honrar o passado não significa idolatrá-lo; criticá-lo impulsiona o futuro.



2 de fevereiro de 2022

De contínuo...


 

Encontra-me nos teus pensamentos, nos teus sentimentos, na tua vontade aflorada ou quiçá no teu orgulho desflorado. Do que adianta dizer que não quer e no fundo saber que ainda me ama? Não seja uma tola mulher para pensar que foi apenas um momento na cama. Ainda não sei como consegues amar e odiar ao mesmo tempo, deve ser uma loucura desejar e não conseguir me tirar do pensamento. Pode me bloquear para tentar esquecer, mas não alimente o orgulho que vai lhe fazer sofrer. Pensei que houvesse mais maturidade, mas como não sabe domar os sentimentos; não saberá a verdade. Não espere eu partir para correr atrás, pois se eu ir, certamente não voltarei mais. A vida não é um jogo onde terá um ganhador, mas é certo que sempre existirá um perdedor.





Do passado ao presente.

 



Por tantos olhares atravessados

E desejos ocultos,

O tempo trouxe ao presente o passado

Um sentimento claro e enxuto,

O que sempre ficou guardado

Agora recebeu indulto.

 

Bastou um despertar

E aflorou os sentimentos,

Quem poderia imaginar

Que não era apenas um momento?

Pode dar o que falar

Aconteceu com pleno consentimento.

 

E agora, o que poderá ser?

Um instante ou uma biografia?

Só não consegue ver

Que nunca esteve em sintonia.

Há coisas que não é para entender

Ou quem sabe explicamos algum dia.

 

 


Todos os textos são autoria de Giliardi Rodrigues. Proibida a reprodução de qualquer texto sem prévia autorização do autor.

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